Por país

A chegada dos primeiros europeus à China e outros testemunhos antigos

Na Antiguidade, a China e Roma mal se conheciam: viajava a seda, não os viajantes. O primeiro europeu de quem se sabe com certeza que viveu na China é um franciscano, João de Montecorvino, chegado a Cambaluc, a atual Pequim, por volta de 1294 e feito arcebispo da cidade. Marco Polo, que dizia ter servido Kublai Khan de 1275 a 1291, fez sonhar a Europa; nos anos 1320, Odorico de Pordenone descreveu Hangzhou, que tinha pela maior cidade do mundo, e o marroquino Ibn Battuta alcançou os portos do Sul por volta de 1345. Com os mongóis a estrada estava aberta; fechou-se com a sua queda.

Os portugueses reabriram o contacto por mar. Jorge Álvares chegou à costa de Cantão em 1513, a embaixada de Tomé Pires, enviada em 1517, acabou na prisão, e Macau tornou-se portuguesa por volta de 1557. O dominicano Gaspar da Cruz publicou em 1569, em Évora, o primeiro livro europeu inteiramente dedicado à China. Vieram depois os jesuítas: Matteo Ricci instalou-se em Pequim em 1601, Adam Schall dirigiu o Gabinete imperial de Astronomia, e as suas cartas impressas fizeram da China, para os filósofos do século XVIII, o modelo de um império governado por letrados.

Os mercadores viram outra China: a de Cantão, único porto aberto aos europeus a partir de 1757, com as suas feitorias, os seus negociantes autorizados e os seus regulamentos minuciosos. A embaixada britânica de lorde Macartney, recebida pelo imperador Qianlong em 1793, partiu sem nada obter; os seus membros publicaram relatos que invertiam a imagem jesuíta: a China parecia agora imóvel.

A China teve também as suas próprias testemunhas. As frotas do almirante Zheng He, entre 1405 e 1433, tiveram os seus cronistas, e as embaixadas coreanas que subiam todos os anos a Pequim, sob os Ming e depois sob os Qing, deixaram centenas de diários de viagem: postas, mercados, templos, e a conquista manchu de 1644 julgada por vizinhos fiéis à dinastia caída.

No século XIX, as guerras do ópio, em 1839-1842 e em 1856-1860, abriram os portos e depois o interior. Os lazaristas Huc e Gabet atravessaram a Mongólia e chegaram a Lhasa em 1846, o botânico Robert Fortune levou da China plantas de chá disfarçado em 1848, e o geógrafo Ferdinand von Richthofen percorreu treze províncias entre 1868 e 1872 e cunhou a expressão «rota da seda». Isabella Bird subiu o Yangtzé em 1896.

Esta secção reúne as nossas edições de relatos de testemunhas e um repertório de outros relatos antigos sobre a China.

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