Europa Perdida

Relatos de viagem pela Europa de outrora

Também a Europa teve os seus exploradores. Em 921-922, Ibn Fadlan, enviado do califa de Bagdade, descreve os búlgaros do Volga e os mercadores rus; por volta de 965, o viajante andaluz Ibrahim ibn Yaqub visita Praga e as terras eslavas. Em 1287, o monge Rabban Bar Sauma, partido da região de Pequim, encontra-se com Filipe, o Belo, em Paris e com o soberano de Inglaterra na Gasconha. Para estes olhares vindos de fora, a Europa é uma terra distante, fria e estranha.

Na época moderna, viajar pela Europa torna-se uma arte. Montaigne atravessa em 1580-1581 a Suíça, a Alemanha e a Itália, anotando banhos, estalagens e costumes; os diplomatas do Sacro Império chegam a Constantinopla atravessando uma Hungria e uns Balcãs devastados pela guerra; o Grand Tour leva os jovens aristocratas até Roma e Nápoles. Mais tarde, o Cáucaso, os Cárpatos ou a Albânia atraem quem procura, nas margens do continente, uma Europa mais antiga. Lidos hoje, estes relatos mostram um continente de impérios, principados, línguas e fronteiras desaparecidos, que só os viajantes tiveram tempo de descrever.

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