Região e época

Exploradores do Extremo Norte no século XVII

No século XVII, o Extremo Norte deixa de ser apenas a rota sonhada para a China e torna-se um recurso. A partir de 1611, navios ingleses caçam baleias em Spitsbergen, logo disputadas pelos holandeses, e em Smeerenburg uma estação de fornos para derreter a gordura acolhe todos os verões centenas de homens. Alguns tentam ali invernar para provar que é possível: em 1633-1634, sete marinheiros deixados em Jan Mayen mantêm o seu diário até ao fim, e os baleeiros que regressam na primavera encontram-nos mortos de escorbuto.

A passagem do Noroeste continua a atrair os capitães. Em 1616, William Baffin e Robert Bylot reconhecem os estreitos de Smith e de Lancaster, que ficarão esquecidos durante dois séculos. Em 1631, Luke Foxe regressa de mãos vazias, enquanto Thomas James inverna numa ilha da grande baía canadiana e publica um relato de sofrimentos tão impressionante que nele se viu uma fonte de Coleridge. A Dinamarca, por seu lado, procura na Gronelândia as colónias nórdicas perdidas: as expedições de 1605 a 1607 não encontram nenhuma e levam para Copenhaga alguns inuítes raptados.

A leste, a conquista avança ao ritmo das peles. Cossacos e caçadores russos atravessam a Sibéria de rio em rio, impondo aos povos autóctones um tributo em zibelinas; Iakutsk é fundada em 1632 e Ivan Moskvitin alcança o mar de Okhotsk em 1639. Em 1648, Semion Dejniov contorna por mar a extremidade oriental da Ásia, e o seu relatório dorme nos arquivos até 1736.

A Lapónia torna-se uma curiosidade erudita: a coroa sueca constrói ali igrejas e até lá sobem viajantes do Sul, como o padre italiano Francesco Negri em 1664-1666 ou o dramaturgo francês Jean-François Regnard em 1681. A Islândia, sujeita desde 1602 ao monopólio comercial dinamarquês, responde às fábulas estrangeiras com os seus próprios eruditos; em 1627, corsários berberes raptam quase quatrocentos dos seus habitantes, e o pastor Ólafur Egilsson narra o seu cativeiro em Argel. Por fim, dois caçadores e comerciantes franceses, Pierre-Esprit Radisson e Médard Chouart des Groseilliers, convencem Londres a procurar o castor por mar: a sua viagem de 1668 leva à fundação de uma companhia de comércio de peles em 1670.

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