Os nossos títulos sobre este tema
Século XIX
Para ler também: relatos e obras sobre o mesmo tema
Relatos e obras em torno deste tema, por ordem cronológica, para situar os nossos títulos. Cada um remete para uma edição livre em linha quando existe, ou para a nossa ficha quando a obra faz parte do nosso catálogo.
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Francis Buchanan, A Journey from Madras through the Countries of Mysore, Canara, and Malabar (1800-1801)
Na primavera de 1800, menos de um ano depois da queda de Tipu Sultan em Seringapatam (maio de 1799), o governador-geral Wellesley encarrega o médico escocês Francis Buchanan de percorrer Mysore, Canara e Malabar. Durante mais de um ano, Buchanan anota tudo: culturas, preços dos cereais, tecelões, castas, templos, caminhos e rendimento das terras. Onde Flinders regista uma costa sem cidades nem estradas, Buchanan inventaria um país denso, que a Companhia das Índias Orientais acaba de conquistar e pretende administrar. Os dois homens trabalham ao mesmo tempo para o mesmo império, um em terra, o outro no mar, e os seus livros, publicados em 1807 e em 1814, são antes de mais inventários minuciosos do que viram.
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François Péron, Voyage de découvertes aux terres australes (1800-1804)
No preciso momento em que Flinders segue a costa sul, a expedição francesa de Nicolas Baudin explora as mesmas margens vindo de leste. A 8 de abril de 1802, o Géographe cruza-se com o Investigator numa baía a que Flinders chama Encounter Bay, a baía do Encontro. O naturalista François Péron redige o relato oficial, cujo primeiro volume sai em 1807 e que Louis de Freycinet conclui depois da sua morte. Os mapas franceses batizam aí de Terra Napoleão uma parte da costa que Flinders acabava de levantar, o que alimenta uma longa querela de prioridade. O Géographe faz escala por sua vez em King George Sound no início de 1803.
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François Péron et Louis de Freycinet, Voyage de découvertes aux terres australes (1800-1804)
É o relato do outro lado: o da expedição de Nicolas Baudin, que Flinders encontra a 8 de abril de 1802 na baía do Encontro. O naturalista François Péron conta aí a navegação do Géographe e do Naturaliste ao longo das mesmas costas, e depois a escala em Port Jackson, onde as duas tripulações se reencontram. Mas o primeiro volume, publicado em 1807, rebatiza as descobertas de Flinders: a costa sul torna-se Terre Napoléon, a ilha dos Cangurus ilha Decrès. Flinders, então prisioneiro na Ilha de França, indignar-se-á disso no seu próprio livro. Ler os dois em conjunto é ver a mesma costa por olhos rivais.
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George Annesley, vicomte Valentia, Voyages and Travels to India, Ceylon, the Red Sea, Abyssinia, and Egypt (1802-1806)
Em 1802, o mesmo ano em que Flinders esquadrinha o golfo da Carpentária, um jovem lorde irlandês embarca para a Índia com um secretário desenhador, Henry Salt. Durante quatro anos, Valentia percorre as costas do Ceilão e da Índia e explora depois o mar Vermelho a bordo de um navio da Companhia das Índias, até às margens da Abissínia e ao Egito. Os seus três volumes, publicados em 1809, misturam levantamentos de costas, cortes de príncipes indianos e relatos de fundeadouros incertos. Encontra-se aqui a mesma obsessão que em Flinders: cartas seguras para as rotas da Índia, em mares que os marinheiros europeus ainda conheciam mal.
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Adam Johann von Krusenstern, Reise um die Welt in den Jahren 1803, 1804, 1805 und 1806 (1803-1806)
Dois anos depois da partida do Investigator, a Rússia lança por seu turno a sua primeira volta ao mundo. Adam Johann von Krusenstern, oficial báltico que serviu vários anos na marinha britânica, comanda o Nadejda, acompanhado do Neva. Conduz a Nagasáqui o embaixador Nikolai Rezanov, a quem as autoridades japonesas fazem esperar seis meses antes de o despedirem sem tratado, e depois levanta as costas de Sacalina e de Camecháteca. Como Flinders, leva cronómetros para fixar as longitudes e embarca naturalistas e um astrónomo. O seu relato, publicado em russo e em alemão em São Petersburgo, é logo traduzido por toda a Europa, na época em que Flinders, cativo na Ilha de França, não pode publicar o seu.
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Adam Johann von Krusenstern, Voyage autour du monde dans les années 1803, 1804, 1805 et 1806 (1803-1806)
Um ano depois de Flinders, a Rússia lança por sua vez a sua primeira volta ao mundo. Krusenstern, oficial báltico que servira na marinha britânica, comanda o Nadejda, acompanhado do Neva. Toca nas Marquesas e depois leva ao Japão o embaixador Nikolai Rezanov, que espera seis meses em Nagasáqui para ver recusado qualquer comércio. Krusenstern levanta em seguida as costas de Sacalina e de Kamchatka, mares tão mal cartografados como a costa sul da Nova Holanda. O mesmo ofício de Flinders: um hidrógrafo que corrige as cartas dos seus antecessores, sob o olhar de um império que quer a sua parte do Pacífico.
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Adam Johann von Krusenstern, Voyage autour du monde (1803-1806)
Em agosto de 1803, um ano depois da partida do Investigator rumo ao norte, dois navios russos, o Nadejda e o Neva, deixam Kronstadt sob as ordens de Adam Johann von Krusenstern para a primeira volta ao mundo da marinha imperial. Pelo cabo Horn, as Marquesas e o Havaí, chegam a Kamchatka e depois a Nagasáqui, onde o embaixador Rezanov espera meses por uma audiência que o Japão fechado acaba por recusar. Krusenstern levanta em seguida as costas de Sacalina. Como Flinders, é um oficial passado pela Royal Navy, atento aos mapas dos predecessores, que corrige com o cronómetro os vazios da carta de um oceano ainda mal conhecido.
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Adam Johann von Krusenstern, Voyage autour du monde, fait dans les années 1803, 1804, 1805 et 1806 (1803-1806)
Poucas semanas depois do regresso de Flinders a Port Jackson, dois navios russos, o Nadezhda e o Neva, deixam Kronstadt para a primeira volta ao mundo da marinha imperial. Krusenstern leva ao Japão o embaixador Rezanov, que espera meses em Nagasáqui antes de ser dispensado, e levanta depois as costas de Sacalina e de Kamchatka. Como Flinders, comanda uma expedição científica, com naturalistas e astrónomos, e tem de se arranjar com navios cansados e tripulações extenuadas. Os dois relatos contam a mesma época, em que as marinhas da Europa disputam as últimas margens mal conhecidas do globo, cada uma numa ponta do Pacífico.
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Adam Johann von Krusenstern, Voyage autour du monde sur la Nadejda et la Neva (1803-1806)
Em agosto de 1803, poucos dias antes do naufrágio do Porpoise, o Nadejda e o Neva deixam Kronstadt para a primeira circum-navegação russa. Krusenstern, que serviu na Royal Navy, dobra o cabo Horn, toca as Marquesas e o Havai, e depois leva o embaixador Rezanov a Nagasáqui, onde o xogunato o faz esperar meses antes de o mandar embora sem tratado. Levanta em seguida as costas de Sacalina e de Camecháteca. Como Flinders, viaja por um império que quer cartas e rotas; como ele, esbarra num poder que desconfia do estrangeiro. O Japão fechado responde, à sua maneira, à Ilha de França de Decaen.
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Ali Bey el Abbassi (Domingo Badía), Voyages d'Ali Bey el Abbassi en Afrique et en Asie (1803-1807)
No momento em que Flinders conclui a sua volta da Nova Holanda, um espanhol, Domingo Badía, desembarca em Marrocos sob a identidade de um príncipe muçulmano, Ali Bey. Durante quatro anos, percorre Marrocos, Trípoli, Chipre, o Egito, e depois cumpre a peregrinação a Meca antes de seguir para a Síria e Constantinopla. Observa, mede as latitudes e descreve as cidades com a minúcia de um sábio das Luzes, desempenhando ao mesmo tempo um papel político ambíguo. As suas Viagens são publicadas em Paris em 1814. Outra maneira de explorar: não uma costa vazia de mapas, mas um mundo fechado aos europeus.
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Meriwether Lewis et William Clark, History of the Expedition under the Command of Captains Lewis and Clark (1804-1806)
Dois anos depois da passagem de Flinders, outra expedição parte para reconhecer o interior de um continente por conta da sua nação. Lewis e Clark sobem o Missouri, atravessam as Montanhas Rochosas e descem o Columbia até ao Pacífico, mantendo dia a dia os seus diários de viagem. Encontram dezenas de povos ameríndios, como Flinders encontra os aborígenes de Port Phillip, e dependem de guias e intérpretes, como Sacagawea, tal como ele dependia de Bongaree. O relato oficial da expedição é publicado em 1814, o mesmo ano da Viagem à Terra Austral: duas jovens nações, uma já nascida, a outra por nascer, desenham-se no mesmo momento.
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Meriwether Lewis et William Clark, Histoire de l'expédition sous le commandement des capitaines Lewis et Clark (1804-1806)
Em maio de 1804, quando Flinders se desgasta em cartas de protesto em Port-Louis, o Corps of Discovery deixa Saint Louis para subir o Missouri, atravessar as Montanhas Rochosas e alcançar o Pacífico. Dois anos e meio de rios, de transportes por terra, de invernos entre os mandans e de encontros com as nações das Planícies, conduzidos em nome de um jovem país que quer conhecer o território que acaba de comprar à França. O relato, composto por Nicholas Biddle, sai em 1814, como o de Flinders. Dois continentes a cartografar, dois comandantes que guardam o diário como um tesouro: a mesma ambição, sob fortunas opostas.
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Meriwether Lewis et William Clark, Journaux de l'expédition Lewis et Clark (1804-1806)
Na primavera de 1804, enquanto Flinders descobre os muros da prisão do Jardim, Lewis e Clark sobem o Missouri para atravessar o continente até ao Pacífico. Os seus diários, escritos dia após dia, contam os transportes por terra, o inverno entre os Mandans, as Montanhas Rochosas transpostas por pouco e os encontros com povos que nenhum americano descrevera. Tudo opõe os dois relatos: um avança sem cessar rumo ao desconhecido, o outro dá voltas numa ilha de algumas dezenas de quilómetros. E no entanto são dois homens da mesma geração, incumbidos de cartografar, e que sabem que os seus mapas valem mais do que a sua pessoa.
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Mungo Park, The Journal of a Mission to the Interior of Africa, in the Year 1805 (1805)
Em abril de 1805, o escocês Mungo Park parte de novo da Gâmbia com cerca de quarenta europeus para descer o Níger, que alcançara na primeira viagem. A estação das chuvas dizima a tropa: quando chega ao rio, restam-lhe apenas alguns homens. Em Sansanding, monta com duas canoas uma embarcação improvisada e parte rio abaixo; desaparece no ano seguinte nos rápidos de Bussa. O seu diário, trazido por um guia, é publicado em 1815. Como Flinders na ilha Sweers, Park escolhe continuar com um instrumento no limite das forças: ali um navio podre, aqui uma expedição quase aniquilada.
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Mungo Park, Journal d'une mission à l'intérieur de l'Afrique (1805)
Em 1805, o explorador escocês Mungo Park parte de novo para o Níger com uma tropa de soldados britânicos, decidido a seguir o rio até à foz. As febres dizimam a coluna, as mortes contam-se por semana, e o diário termina em Sansanding, de onde Park envia as suas últimas cartas antes de desaparecer nas corredeiras de Bussa. O texto, publicado em 1815, saiu um ano depois do livro de Flinders. Os dois homens partilham o mesmo destino de exploradores da Coroa apanhados na guerra contra a França, e a mesma angústia de ver o seu trabalho perdido antes de chegar a Londres.
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Mungo Park, Journal d'une mission à l'intérieur de l'Afrique en 1805 (1805-1806)
Enquanto Flinders cartografa as costas da Austrália, a África Ocidental continua a ser uma página em branco para a Europa. Em 1805, o cirurgião escocês Mungo Park parte de novo da Gâmbia para descer o Níger até à foz, cuja localização ninguém conhece. A estação das chuvas e as febres dizimam o seu grupo; ele prossegue, apesar de tudo, numa embarcação improvisada, e desaparece nos rápidos de Bussa em 1806. O seu diário, trazido pelo seu guia, é publicado em 1815. Como a perda do cúter no cabo Catastrophe, é o preço humano pago para preencher os brancos do mapa.
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Mungo Park, Journal d'une mission dans l'intérieur de l'Afrique en 1805 (1805-1806)
Regressado famoso da sua primeira viagem, o escocês Mungo Park parte de novo em 1805 com cerca de quarenta europeus, na maioria soldados, para descer o Níger até à foz. As febres e a estação das chuvas dizimam a coluna antes mesmo de chegar ao rio. Park constrói uma embarcação em Sansanding, expede as últimas cartas e o diário, e depois desaparece rio abaixo, perto de Bussa, em 1806. O diário, salvo por um mensageiro, é publicado em 1815. Mesmo ano, mesma obstinação: um explorador britânico sabe que arrisca tudo perder e esforça-se por fazer chegar as suas observações a Inglaterra, como Flinders que copia as suas cartas na prisão.
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Leopold von Buch, Voyage en Norvège et en Laponie (1810)
De 1806 a 1808, o geólogo prussiano Leopold von Buch percorre a Noruega, então dinamarquesa, e depois a Lapônia até o cabo Norte, com o barômetro na mão para medir a altura das montanhas. Seu livro, publicado em alemão em 1810, segue a costa de Finnmark por Alten, Hammerfest e Tromsø, e volta pela Lapônia e pela Suécia com a aproximação do inverno. Ali ele avança a ideia, de longo futuro, de que o solo da Suécia se eleva lentamente acima do mar. Enquanto o Vlieg roça os rochedos das Shetland na tempestade, alguns graus mais ao norte um sábio obstinado procura ler a história do continente em suas rochas.
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François-René de Chateaubriand, Itinéraire de Paris à Jérusalem (1811)
Partindo de Paris em julho de 1806, Chateaubriand segue para Veneza, a Grécia, Constantinopla e Jerusalém, depois o Egito, Túnis e a Espanha, e volta à França na primavera de 1807, algumas semanas antes de o Vlieg deixar a Holanda. O Itinerário de Paris a Jerusalém, publicado em 1811, mistura erudição antiga, piedade e gosto pelo pitoresco; o escritor busca ali imagens para sua epopeia Os Mártires tanto quanto o caminho dos lugares santos. O contraste com o jovem holandês é eloquente: um viaja para escrever e compõe o livro logo em seguida, o outro escreve trinta e cinco anos depois o que a guerra lhe fez viver, sem outra ambição que a de lembrar.
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Vassili Golovnine, Mémoires d'une captivité au Japon (1811-1813)
O parente mais próximo do livro de Flinders. Comandante da corveta russa Diana, Golovnin foi primeiro retido mais de um ano pelos britânicos em Simon's Bay, no Cabo, a partir de 1808, antes de fugir de noite em maio de 1809. Dois anos depois, desembarcado nas Curilas, é capturado pelos japoneses e encerrado mais de dois anos em Hakodate e em Matsumae. O seu relato, traduzido para inglês logo em 1818, descreve a jaula, a tentativa de fuga falhada e depois as longas negociações que o libertam. A mesma guerra mundial dos impérios, o mesmo oficial de marinha prisioneiro de um poder que suspeita de espionagem.
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Vassili Golovnin, Narrative of My Captivity in Japan (1811-1813)
Em julho de 1811, o capitão russo Vassili Golovnin, enviado para levantar as costas das Curilas, é capturado pelos japoneses em Kunashir com vários dos seus homens. Fica prisioneiro mais de dois anos, em Hakodate e depois em Matsumae, e só é libertado em outubro de 1813, quando Mayr deixa Salónica para regressar à Europa. O seu relato, publicado em 1816, é um dos raros testemunhos europeus sobre o Japão fechado. Como o comerciante suíço, Golovnin vê-se sozinho entre homens cuja língua ignora, à mercê da hospitalidade ou da desconfiança, e safa-se graças à observação paciente.
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Germaine de Staël, Dix années d'exil (1812)
A 23 de maio de 1812, dois dias depois de Mayr deixar Viena, Germaine de Staël foge de Coppet, onde Napoleão a mantém sob vigilância. Atravessa a Áustria, a Galícia e a Ucrânia, chega a Moscovo pouco antes da Grande Armée, depois a São Petersburgo e por fim a Estocolmo. As memórias desta fuga, publicadas depois da sua morte em 1821, mostram a mesma Europa que o fabricante de Arbon deixa para trás: um continente fechado pelo Império, onde o comércio e o pensamento procuram saídas para leste. Dois viajantes partidos das margens de um lago suíço, um para vender, a outra para continuar livre.
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Ross Cox, Adventures on the Columbia River (1812-1817)
Contratado pela companhia de peles de John Jacob Astor, o jovem irlandês Ross Cox chega em maio de 1812 a Astoria, na foz do Columbia, precisamente quando Mayr desce o Danúbio. Passa seis anos nos postos comerciais do Noroeste americano, perde-se sozinho durante duas semanas na floresta, negoceia com os povos do rio e assiste à cessão do posto aos britânicos durante a guerra de 1812. O seu livro sai em 1831. Como o suíço, Cox é um comerciante que viaja por negócios e conta os seus percalços com franqueza, longe de qualquer relato heroico.
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Johann Ludwig Burckhardt, Travels in Nubia (1813)
Outro suíço percorre o Oriente nos mesmos meses. Johann Ludwig Burckhardt, de família basileense, viaja para uma sociedade erudita de Londres sob o nome de xeque Ibrahim. Em 1812 descobre Petra a caminho do Cairo, onde Mayr também passa esse inverno; na primavera de 1813 sobe o Nilo através da Núbia e avista o grande templo de Abu Simbel meio enterrado na areia. O seu relato da Núbia sai em 1819, depois da sua morte. O erudito que vive como muçulmano e o comerciante de Arbon que não fala nenhuma língua do país oferecem duas maneiras suíças de enfrentar o mesmo Oriente.
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Henry Salt, Voyage en Abyssinie (1814)
Em 1809, Henry Salt parte de novo para a Abissínia, encarregado pelo governo britânico de levar ao soberano do país os presentes do rei da Inglaterra. No caminho, seu navio costeia a África oriental, e seu livro, publicado em 1814, descreve os estabelecimentos portugueses de Moçambique, na outra extremidade do império cuja antiga capital americana Ver Huell descobre nesse mesmo momento. Seguem-se o Tigré, suas igrejas, seus príncipes, e vocabulários dos povos da costa. A aproximação mostra o Império Português em suas duas margens ao mesmo tempo, na hora exata em que sua corte deixa Lisboa para se refugiar na América.
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Vassili Golovnine, Memoirs of a Captivity in Japan (1816)
Em maio de 1808, o saveiro russo Diana, de Vassili Golovnine, entra em Simon's Bay, perto do Cabo, sem saber que a Rússia está agora em guerra com a Inglaterra. Os britânicos o imobilizam por mais de um ano, até que Golovnine aproveita um vento favorável, em maio de 1809, para fugir. O mesmo homem é capturado em 1811 pelos japoneses nas Curilas e permanece mais de dois anos prisioneiro em Hakodate e Matsumae; seu relato, publicado em 1816, apresenta à Europa um Japão fechado. Navio neutro transformado em presa de guerra, tripulação mantida no porto pela política das grandes potências: o Diana no Cabo vive o que o Vlieg vive na Bahia.
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Phillip Parker King, Narrative of a Survey of the Intertropical and Western Coasts of Australia (1818-1822)
Dezasseis anos depois de Flinders, o tenente Phillip Parker King, filho de um antigo governador de Nova Gales do Sul, recebe a missão de completar o levantamento das costas que o Investigator, demasiado degradado, tivera de deixar inacabado. Com o pequeno cúter Mermaid e o botânico Allan Cunningham, fundeia em janeiro de 1818 em King George Sound. Procura ali em vão a garrafa que Flinders deixara com o relato da sua passagem, não para a levar mas para lhe acrescentar algumas linhas, e constata, carta na mão, a exatidão dos levantamentos do seu antecessor. O seu relato, publicado em 1827, prossegue para as costas tropicais do norte e do oeste, mas mantém Flinders como modelo constante.
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Phillip Parker King, Relation d'une reconnaissance des côtes intertropicales et occidentales de l'Australie (1818-1822)
Filho do governador Philip Gidley King, o mesmo que arma os navios de socorro para os náufragos do recife, Phillip Parker King retoma a obra de Flinders onde o cativeiro a tinha interrompido. Entre 1817 e 1822, no pequeno cúter Mermaid e depois no Bathurst, levanta as costas norte e oeste que o Investigator, demasiado podre, não pudera concluir, e atravessa por sua vez o Estreito de Torres. A sua relação, publicada em 1827, cita muitas vezes o antecessor e corrige as suas cartas com respeito. Reencontram-se os mesmos recifes, as mesmas marés traiçoeiras e a mesma paciência de hidrógrafo.
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Giovanni Battista Belzoni, Narrative of the Operations and Recent Discoveries in Egypt and Nubia (1820)
Antigo homem forte de feira transformado em caçador de antiguidades, o paduano Giovanni Battista Belzoni passa no Egito os anos de 1815 a 1819. Faz descer o Nilo ao busto colossal de Ramsés II destinado ao Museu Britânico, desobstrui a entrada do grande templo de Abu Simbel, descobre em Tebas o túmulo de Seti I e entra na pirâmide de Quéfren. Deixa o Egito em 1819, o ano em que Ernst percorre o Illinois, e publica o seu relato em Londres em 1820, quando Ernst publica o seu em Hildesheim. Dois homens de terreno, dois livros concretos: um escava um passado enterrado, o outro avalia uma terra onde tudo está por construir.
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Maximilien de Wied-Neuwied, Voyage au Brésil dans les années 1815, 1816 et 1817 (1820-1821)
De 1815 a 1817, o príncipe Maximiliano de Wied-Neuwied sobe a costa do Brasil do Rio até a Bahia, através das florestas do Rio Doce e do Mucuri, entre os botocudos, que observa com uma atenção nova. Perto da baía, em Nazaré, é preso no momento da insurreição de Pernambuco e fica três dias encerrado, até que o governador da Bahia ordene sua libertação. Costeia em seguida Itaparica, suas armações baleeiras e suas cercas de ossos de baleia, e deixa Salvador em maio de 1817 num navio que o governo havia requisitado. Dez anos depois de Ver Huell, as mesmas suspeitas contra o estrangeiro, e a mesma baía.
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William Edward Parry, Journal of a Voyage for the Discovery of a North-West Passage (1821)
Em maio de 1819, quando Ernst ainda navega rumo a Baltimore, dois navios da Royal Navy, o Hecla e o Griper, deixam o Tamisa em direção ao Ártico sob o comando de William Edward Parry. Atravessam o estreito de Lancaster, ultrapassam o meridiano 110 oeste, o que lhes vale o prémio prometido pelo Parlamento, e invernam depois na ilha Melville, presos no gelo durante dez meses. Parry ocupa os seus homens com um teatro e um pequeno jornal. Os dois livros contam o mesmo ano nas duas pontas da América do Norte: aqui a pradaria prometida aos colonos, ali um mar gelado que se esperava atravessar.
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George Bethune English, A Narrative of the Expedition to Dongola and Sennaar (1822)
Por trás do renegado americano que Waddington encontra no acampamento, Mahommed Effendi, reconhece-se George Bethune English. Nascido em Boston e convertido ao islão, serve como oficial de artilharia no exército de Ismail Paxá, que acompanha até Sennar. O seu relato, publicado em Londres em 1822, conta a mesma campanha vista do interior das tropas: as marchas, os combates contra os shaiqiya, a submissão dos reis, o avanço para sul para lá de Jebel Barkal. Ler os dois livros em conjunto é ouvir duas versões da mesma guerra, a do soldado convertido e a do visitante inglês que o despreza.
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Jacques Arago, Promenade autour du monde (1822)
Desenhador da expedição de Louis de Freycinet, Jacques Arago dá a volta ao mundo de 1817 a 1820 a bordo da corveta Uranie, onde a mulher do comandante, Rose, embarcara disfarçada de homem. Conta em cartas a ilha Maurícia, Timor, as Marianas, o Havai e a Austrália, e depois o naufrágio da Uranie nas Malvinas no início de 1820. Também Ernst escreve por cartas, para uma Europa ansiosa por saber o que existe para lá dos mares. Mas onde o agrónomo conta acres e o preço do trigo, Arago, pintor e contador de histórias, procura rostos, danças e a anedota que faz viajar o leitor.
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Edwin James, Account of an Expedition from Pittsburgh to the Rocky Mountains (1823)
Em 1819, a expedição do major Stephen Long parte de Pittsburgh num barco a vapor para explorar o Oeste americano até às Montanhas Rochosas. O botânico Edwin James, autor do relato, faz em julho de 1820 a primeira ascensão conhecida do cume que virá a chamar-se Pikes Peak. A expedição regressa apresentando as Grandes Planícies como um grande deserto impróprio para a agricultura, juízo que pesará muito tempo sobre a sua reputação. Nos dois livros, viajantes agregados a uma coluna oficial descrevem terras que os contemporâneos julgavam hostis, e misturam o inventário científico com os acasos da marcha.
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John Franklin, Narrative of a Journey to the Shores of the Polar Sea (1823)
Enquanto Waddington sobe o Nilo, John Franklin passa o inverno no Grande Norte canadiano. Partiu de Inglaterra em 1819 para cartografar a costa ártica da América, desce em 1821 o rio Coppermine até ao mar e segue o litoral de canoa. O regresso transforma-se em desastre: a fome, o frio, homens que morrem pelo caminho, suspeitas de assassínio e de canibalismo; os sobreviventes chegam a comer o couro das botas. Tal como o diário de Waddington, este relato mostra europeus à mercê de guias locais e de abastecimentos incertos, muito longe de qualquer socorro.
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Johann Baptist von Spix et Carl Friedrich Philipp von Martius, Reise in Brasilien (1823-1831)
Enviados pelo rei da Baviera na esteira da arquiduquesa Leopoldina, futura imperatriz do Brasil, o zoólogo Spix e o botânico Martius percorrem o país de 1817 a 1820. Depois de Minas Gerais e suas minas de diamantes, chegam ao litoral em Salvador, partem em seguida pela caatinga, onde a sede e a febre quase os matam, estudam o meteorito de Bendegó e acabam por subir o Amazonas. Seu relato, publicado de 1823 a 1831, é o grande inventário erudito de um país que a abertura dos portos, decretada na Bahia em 1808, acaba de tornar acessível aos estrangeiros. O que Ver Huell olhava como curioso, eles classificam como naturalistas.
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Maria Graham, Journal of a Voyage to Brazil (1824)
No fim de 1821, Maria Graham chega à Bahia na fragata Doris, comandada por seu marido, quando o Brasil se prepara para romper com Lisboa. Seu diário, publicado em 1824, descreve a cidade baixa, seus mercados, suas igrejas, as cadeiras de arruar e o mercado de escravos, que ela diz não saber olhar sem vergonha nem indignação; visita também a ilha de Itaparica e seus canaviais. Inglesa, letrada, logo viúva, vê a cidade com outros olhos que o jovem oficial holandês, mas as mesmas ruas inclinadas, as mesmas cadeiras e a mesma violência da escravidão atravessam os dois livros, com quatorze anos de distância.
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Frédéric Cailliaud, Voyage à Méroé, au fleuve Blanc, au-delà de Fâzoql (1826-1827)
O francês Frédéric Cailliaud, com quem Waddington se cruza no caminho de regresso, junta-se ao exército de Ismail Paxá no início de 1821 com o seu companheiro Letorzec. Mais afortunado do que os dois ingleses, consegue segui-lo para sul: chega às pirâmides de Méroe, que é um dos primeiros europeus a descrever, e depois a Sennar e ao Fazogli. O seu livro, publicado em Paris em vários volumes acompanhados de um atlas, completa o de Waddington. Onde o diário inglês se detém em Jebel Barkal, Cailliaud prolonga o caminho e mostra que a cidade de Méroe ficava bem mais a sul.
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Jules Dumont d'Urville, Voyage de la corvette l'Astrolabe (1826-1829)
Em outubro de 1826, dois dias depois de avistar o cabo Leeuwin, o Astrolabe de Jules Dumont d'Urville lança âncora em King George Sound, a que os franceses chamam porto do Rei Jorge. A escala dura dezoito dias. Os marinheiros travam relações amistosas com os habitantes, que o desenhador Louis de Sainson representa em várias pranchas do atlas. D'Urville julga o lugar próprio para uma colónia e admira-se de que os britânicos ainda não se tenham instalado; algumas semanas mais tarde, uma pequena guarnição enviada de Sydney funda ali o posto que se tornará Albany. O relato oficial, publicado a partir de 1830, oferece um olhar francês sobre as margens descritas por Flinders.
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Egor Timkovski, Voyage à Péking, à travers la Mongolie, en 1820 et 1821 (1827)
Em 1820, o diplomata russo Egor Timkovski escolta até Pequim a rendição da missão ortodoxa que o império dos czares mantém na capital chinesa. A caravana atravessa a Mongólia e o deserto de Gobi, demora-se vários meses em Pequim e regressa a Kiakhta em 1821. O relato, publicado em russo e traduzido para francês em 1827, descreve os mongóis, os seus mosteiros budistas, a corte dos Qing e a cidade imperial. Tal como Waddington, Timkovski viaja na esteira de um poder oficial e tem de conciliar a curiosidade do viajante com a reserva que lhe impõe a condição de hóspede tolerado.
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John Crawfurd, Journal of an Embassy from the Governor-General of India to the Courts of Siam and Cochin China (1828)
No final de 1821, a Companhia inglesa das Índias envia o médico e orientalista John Crawfurd a negociar com as cortes do Sião e da Cochinchina. Sobe o rio até Banguecoque, discute durante meses com ministros desconfiados e segue depois para Hué, sem obter os acordos comerciais esperados. O seu diário, publicado em 1828, descreve em pormenor as sociedades e as economias que atravessa. No mesmo momento, Waddington observa outra potência em expansão, o Egito de Mehmet Ali, que conquista o Sudão pelas armas: dois rostos da ambição dos impérios no início da década de 1820.
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John Franklin, Narrative of a Second Expedition to the Shores of the Polar Sea, in the Years 1825, 1826, and 1827 (1828)
Em 1828, o ano em que Laborde percorre Petra, John Franklin publica em Londres o relato da sua segunda expedição ao mar polar. De 1825 a 1827, desceu o Mackenzie até ao seu delta e seguiu depois para oeste a costa ártica da América, enquanto John Richardson levantava a orla para leste até à foz do Coppermine. Instruídos pelo desastre da primeira viagem, em que se tinha estado perto da fome, os homens regressam desta vez sem perdas, com centenas de quilómetros de costa registados no mapa. Às areias escaldantes da Arábia Pétrea respondem os gelos de outro deserto, e a mesma paixão pelo levantamento exato.
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Gottfried Duden, Bericht über eine Reise nach den westlichen Staaten Nord-Amerika's (1829)
Poucos anos depois de Ernst, outro alemão instala-se do outro lado do Mississípi e escreve, por sua vez, para os candidatos à partida. Gottfried Duden vive de 1824 a 1827 numa quinta perto do rio Missouri, a oeste de Saint Louis, e publica em 1829 um relato entusiasta que leva milhares de famílias alemãs a partir. Os dois livros respondem à pergunta que um dos capítulos de Ernst coloca: que deve fazer o europeu? Ernst calcula, Duden faz sonhar. Muitos dos seus leitores, uma vez chegados, hão de censurá-lo por ter pintado o Missouri com cores demasiado belas.
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René Caillié, Journal d'un voyage à Temboctou et à Jenné, dans l'Afrique centrale (1830)
A 20 de abril de 1828, poucas semanas depois de Laborde ter deixado Petra, René Caillié entra em Tombuctu, fazendo-se passar por um egípcio muçulmano que procura regressar ao seu país. Partido um ano antes da costa da Guiné, sem escolta nem dinheiro, atravessou o Futa Jalon, sobreviveu ao escorbuto em Timé e desceu depois o Níger até à cidade proibida aos cristãos. Regressa pelo Sara, por Fez e por Tânger, e recebe o prémio prometido pela Société de géographie. O seu Journal d'un voyage à Temboctou et à Jenné sai em 1830, o ano em que começa a publicação de Laborde: dois jovens franceses, dois disfarces, duas cidades lendárias alcançadas na mesma primavera.
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Jules Dumont d'Urville, Voyage de la corvette l'Astrolabe, exécuté par ordre du roi, pendant les années 1826-1827-1828-1829 (1830-1835)
Enquanto Laborde espera em Aqaba pelos chefes alauínes, o Astrolabe de Dumont d'Urville fundeia diante de Vanikoro, no arquipélago de Santa Cruz. Confiando nas informações do capitão Peter Dillon, a tripulação procura os vestígios de La Pérouse, desaparecido quarenta anos antes, e retira do recife âncoras, canhões e destroços dos seus navios. Antes de partir, os marinheiros, abatidos pela febre, erguem um monumento aos seus predecessores. O relato, publicado em vários volumes a partir de 1830, traz também os levantamentos da Nova Zelândia e da Nova Guiné. O mesmo ano, a mesma ambição francesa: medir, desenhar e trazer de volta o que outros apenas tinham entrevisto.
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Fabian Gottlieb von Bellingshausen, Dvukratnye izyskaniia v Iuzhnom Ledovitom okeane i plavanie vokrug sveta (1831)
Em julho de 1819, dois navios russos, o Vostok e o Mirny, deixam Kronstadt sob o comando de Fabian Gottlieb von Bellingshausen para explorar os mares austrais. Em janeiro de 1820 aproximam-se da costa da Antártida, e à expedição é muitas vezes atribuído o primeiro avistamento do continente. Até 1821 dão a volta ao polo e descobrem a ilha Pedro I e a terra de Alexandre I. Nesses mesmos meses, Waddington e Hanbury seguem o exército de Ismail Paxá até ao coração da Núbia: duas expedições nos limites do mundo conhecido dos europeus, uma entre os gelos, a outra num deserto escaldante.
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Alexander Burnes, Voyages à Boukhara (Travels into Bokhara) (1831-1833)
Na altura em que Macbrair estuda árabe em Malta, Londres celebra um jovem oficial escocês do exército da Índia que regressa da Ásia Central. Vestido à maneira afegã, Alexander Burnes deixou Lahore no início de 1832, atravessou o Hindu Kush por Cabul e chegou a Bucara, o emirado onde os cativos eram vendidos no mercado, antes de regressar pela Pérsia. O seu livro, Travels into Bokhara, publicado em 1834, faz dele «Bokhara Burnes», a celebridade do momento. Escoceses ambos, estes dois contemporâneos observam o islão de perto, um para fazer o seu inventário estratégico no início do Grande Jogo, o outro para o contestar, e ambos descrevem os mercados de escravos com o mesmo espanto.
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Charles Darwin, Journal de recherches (Le Voyage du Beagle) (1831-1836)
Enquanto Macbrair sobe o Nilo numa cange, um jovem naturalista inglês percorre a Patagónia, a Terra do Fogo e os Andes. Embarcado em dezembro de 1831 no Beagle do capitão FitzRoy, Charles Darwin passa quase cinco anos a colecionar fósseis, aves e rochas, enfrenta as tempestades do cabo Horn, vê um terramoto devastar Concepción e chega às Galápagos em 1835. O seu diário é publicado em 1839, o mesmo ano dos Sketches. Os dois homens olham o mundo com olhos opostos, um em busca de almas, o outro em busca de leis, mas partilham a mesma franqueza perante a escravidão, que Darwin denuncia no Brasil com uma cólera que Macbrair poderia ter assinado na Gâmbia.
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Thomas Mitchell, Three Expeditions into the Interior of Eastern Australia (1831-1836)
Agrimensor-geral de Nova Gales do Sul, Thomas Mitchell parte de Sydney, onde Flinders reparara o seu navio, mas rumo ao interior. Na sua terceira expedição, em 1836, atravessa as planícies do atual Victoria, que batiza de Australia Felix, e chega à baía de Portland, na costa que Flinders percorrera entre o cabo Northumberland e o cabo Otway. Encontra aí, estupefacto, colonos já instalados. Do alto do monte Macedon, avista Port Phillip, a baía que o Investigator explorara. O seu relato, publicado em 1838, acelera a colonização dessas terras.
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Frances Trollope, Domestic Manners of the Americans (1832)
Desembarcada em Nova Orleães no final de 1827, Frances Trollope sobe o Mississípi em barco a vapor e instala-se depois em Cincinnati, onde abre um grande bazar que a arruína. De volta a Inglaterra em 1831, publica um retrato feroz dos americanos: o tabaco mascado, as refeições engolidas em silêncio, o fervor das reuniões religiosas ao ar livre, a escravatura. Percorre o caminho de Ernst em sentido inverso, do delta ao Ohio, e reencontra, oito anos depois, as cidades que ele vira nascer. O livro fez escândalo nos Estados Unidos; continua a ser um testemunho muito vivo sobre o Oeste da década de 1820.
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Richard et John Lander, Journal of an Expedition to Explore the Course and Termination of the Niger (1832)
Em março de 1830, menos de um ano depois da saudação de Acre, os irmãos Richard e John Lander desembarcam em Badagry, na costa da atual Nigéria, encarregados pelo governo britânico de resolver o enigma do Níger. Chegam a Bussa, onde Mungo Park perecera, e descem depois o rio de piroga. Capturados e resgatados a jusante, são por fim conduzidos até ao delta e provam que o Níger desagua no golfo da Guiné. O seu Journal, publicado em 1832, narra a aventura em tom simples e direto. Tal como Prokesch, têm de lidar com soberanos locais, entre presentes e palavreado, para obter o simples direito de passar.
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George Catlin, Lettres et notes sur les mœurs, coutumes et conditions des Indiens d'Amérique du Nord (1832-1839)
Na primavera de 1832, o pintor George Catlin embarca em Saint Louis no Yellow Stone, o primeiro vapor a subir o Missouri até Fort Union. Durante vários verões, pinta e descreve dezenas de povos das Planícies, sobretudo os mandans, cujas cerimónias observa. Em 1837, a varíola aniquila-os quase por completo: as suas cartas, publicadas em 1841, tornam-se um testemunho insubstituível sobre um mundo desaparecido. Tal como Macbrair perante os mandingas e os fulas, Catlin quer ser amigo dos povos que visita e acusa os brancos de os destruírem; mas onde o missionário quer converter, o pintor quer apenas reter aquilo que se vai apagar.
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Charles Sturt, Two Expeditions into the Interior of Southern Australia (1833)
No fim de 1829, Charles Sturt, oficial britânico estacionado em Sydney, desce o Murrumbidgee numa baleeira e desemboca num grande rio a que chama Murray. Segue-o por centenas de milhas, cruza-se com grupos aborígenes ora ameaçadores, ora prestáveis, e alcança no início de 1830 o lago Alexandrina, muito perto do mar. Incapaz de chegar à costa, a tripulação tem de subir a corrente a remo, exausta e faminta; Sturt regressa com a vista gravemente afetada. As suas Two Expeditions, publicadas em 1833, contam esse regresso extenuante. Mesmo ano, mesmo ofício de oficial que levanta o terreno: Prokesch mede as portas de Jerusalém, Sturt desenha um rio desconhecido.
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Victor Jacquemont, Correspondance de Victor Jacquemont avec sa famille et plusieurs de ses amis, pendant son voyage dans l'Inde (1828-1832) (1833)
No fim do verão de 1828, quando Laborde já regressou ao Cairo, o naturalista Victor Jacquemont embarca em Brest na Zélée, encarregado pelo Muséum d'histoire naturelle de explorar a Índia. Chegado a Calcutá em maio de 1829, sobe em direção aos Himalaias, vai até ao Ladaque, é recebido em Lahore pelo marajá sikh Ranjit Singh, herboriza e mede sem descanso, antes de morrer em Bombaim em dezembro de 1832, aos trinta e um anos. As suas cartas, publicadas em 1833 com a colaboração de Mérimée, têm a vivacidade de uma conversa. Como Laborde, um jovem da sociedade parisiense que escolhe o terreno mais duro e envia as suas coleções para o Jardin des Plantes.
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Flora Tristan, Pérégrinations d'une paria (1833-1834)
Em abril de 1833, seis meses antes de Macbrair desembarcar em Calais, Flora Tristan deixa Bordéus rumo ao Peru. Separada de um marido violento, sem recursos, vai reclamar ao tio, Pío de Tristán, em Arequipa, a herança do pai. Obterá apenas uma pensão, mas assiste à guerra civil, visita os conventos de clausura e uma plantação de açúcar onde trabalham escravos, e conhece em Lima a Marechala Francisca Gamarra no momento do seu exílio. Publicado em 1838, o seu relato é o de uma mulher que se sabe estrangeira em toda a parte e observa sem indulgência. Tal como Macbrair, julga o clero com severidade e diz o que outros calam.
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George Back, Récit de l'expédition terrestre dans l'Arctique (Narrative of the Arctic Land Expedition) (1833-1835)
Em fevereiro de 1833, George Back deixa Inglaterra à procura de John Ross, desaparecido há quatro anos nos gelos do Ártico. Passa o inverno na extremidade oriental do Grande Lago do Escravo, sabe na primavera de 1834 que Ross regressou são e salvo, e prossegue mesmo assim rumo ao mar polar, descendo um rio furioso, cortado por dezenas de rápidos, que hoje tem o seu nome. O seu relato, publicado em 1836, figura entre os clássicos da exploração do Grande Norte canadiano. Enquanto Macbrair sofre a sede nas planícies de Damasco e a febre no Nilo, Back suporta o inverso exato: a fome, o gelo e a imensidão branca.
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Alexander Kinglake, Eothen (1834-1835)
Em 1834, o jovem inglês Alexander Kinglake deixa Belgrado e atravessa a cavalo os Balcãs otomanos até Constantinopla, seguindo depois para Esmirna, Chipre, Beirute, Nazaré, Jerusalém e, através do deserto, para o Cairo, onde grassa a peste de 1835. É quase o itinerário de Mayr vinte anos depois, com as mesmas quarentenas e o mesmo medo do contágio. Eothen, publicado em 1844, está escrito com um humor desenvolto que fez dele um clássico. O comerciante suíço e o cavalheiro inglês partilham a recusa da ênfase e o gosto pelo episódio vivido.
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Alphonse de Lamartine, Voyage en Orient (1835)
No outono de 1832, três anos depois de Prokesch, Alphonse de Lamartine desembarca em Beirute com a mulher e a filha Julia, e segue a cavalo para Jerusalém, escoltado como um príncipe. Procura ali menos provas do que emoções: o Santo Sepulcro, o vale de Josafá, o monte das Oliveiras tornam-se, sob a sua pena, meditações líricas. No regresso, Julia morre em Beirute, e a viagem converte-se em luto. A Viagem ao Oriente, publicada em 1835, fixou durante gerações a imagem romântica da Terra Santa. O contraste com Prokesch é nítido: onde o major austríaco regista, mede e compara os textos, o poeta contempla e recorda.
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George Alexander Hoskins, Travels in Ethiopia, above the Second Cataract of the Nile (1835)
Em 1833, uma dúzia de anos depois de Waddington, o inglês George Alexander Hoskins sobe o Nilo para lá da Segunda Catarata. A Núbia é agora uma província egípcia, e ele viaja com uma liberdade que os seus antecessores não tiveram. Visita Jebel Barkal, vai até às pirâmides de Méroe, que descreve com cuidado, e dedica parte do livro ao estado do país sob o domínio de Mehmet Ali. É a continuação natural do diário de Waddington: os mesmos templos e as mesmas aldeias, revistos depois de terminada a guerra e instalada a administração egípcia.
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John Ross, Narrative of a Second Voyage in Search of a North-West Passage (1835)
Em maio de 1829, poucas semanas depois da tempestade de Ipsara, John Ross deixa a Inglaterra a bordo do Victory, um pequeno vapor de rodas financiado pelo destilador Felix Booth, em busca da passagem do Noroeste. Os gelos imobilizam-no ao longo de uma terra a que chama Boothia; a tripulação passa ali quatro invernos, ajudada pelos inuítes, que lhe ensinam a viver da região. Em junho de 1831, o seu sobrinho James Clark Ross alcança o polo Norte magnético. Abandonado o navio, os sobreviventes são recolhidos em 1833 por um baleeiro. O relato sai em 1835: outra expedição partida em 1829, que dura quatro anos quando a de Prokesch cabe em seis semanas.
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George Borrow, The Bible in Spain (1835-1840)
Na primavera de 1838, enquanto as corvetas se refazem no Chile, o inglês George Borrow, agente da Sociedade Bíblica, é preso em plena rua de Alcalá, em Madrid, por ordem do corregedor, e encerrado na Cárcel de la Corte. Desde 1835 percorre a cavalo uma Espanha dilacerada pela guerra carlista para vender o Novo Testamento, e mandou imprimir o Evangelho de São Lucas traduzido em caló, a língua dos ciganos. Fica três semanas na prisão, até que a embaixada britânica obtém a sua libertação. O seu relato, publicado em 1843, foi um grande sucesso. Um estrangeiro sozinho perante as autoridades e o boato, poucas semanas antes das calúnias de Valparaíso.
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Alcide d'Orbigny, Voyage dans l'Amérique méridionale (1835-1847)
Enquanto Laborde atravessa o Sinai, Alcide d'Orbigny percorre há dois anos a América do Sul por conta do Muséum d'histoire naturelle. A sua viagem dura de 1826 a 1833: o Brasil, o Uruguai, as províncias argentinas e a Patagónia, depois o Chile, o Peru e sobretudo a Bolívia, cujas paisagens e povos descreve. Traz de lá milhares de espécimes e uma obra monumental, o Voyage dans l'Amérique méridionale, publicado de 1835 a 1847 em nove tomos. Naturalista, geógrafo e etnógrafo ao mesmo tempo, partilha com Laborde o gosto pelo inventário completo, em que cada planta, cada concha e cada rocha encontra o seu lugar ao lado do relato.
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Alexandre Pouchkine, Voyage à Arzroum pendant la campagne de 1829 (1836)
Na primavera de 1829, Aleksandr Púchkin parte sem autorização para se juntar ao exército russo do Cáucaso, em guerra com os otomanos. Para lá de Tbilisi, cruza-se com uma carroça que traz da Pérsia o corpo do poeta e diplomata Griboiedov, massacrado em Teerão poucos meses antes. Segue as tropas do general Paskevitch até Arzrum, que abre as portas aos russos, e parte quando a peste ali se declara. A sua Viagem a Arzrum durante a campanha de 1829, publicada em 1836, é um relato seco e irónico, contrário ao Oriente romântico que dele se esperava. É a mesma guerra que enfraquece a Porta enquanto Prokesch negoceia com o paxá de Acre: dois viajantes nos dois extremos do Império Otomano, na mesma primavera.
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Anna Jameson, Winter Studies and Summer Rambles in Canada (1836-1837)
No fim de 1836, Anna Jameson chega a Toronto em pleno inverno, sozinha, para se juntar a um marido de quem vive afastada há muito. A escritora irlandesa aborrece-se na pequena capital do Alto Canadá e parte, no verão de 1837, para oeste, até ao lago Huron, ao Sault Sainte Marie e à ilha Manitoulin. Viaja de canoa com ojíbuas, desce os rápidos, anota o que as mulheres indígenas lhe confiam sobre a sua vida. O seu livro sai em Londres em 1838. Alguns meses antes de Dumont d'Urville receber os patagões a bordo na enseada Peckett, uma viajante observa, também ela, povos que a Europa descreve mal.
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George Back, Narrative of an Expedition in H.M.S. Terror (1836-1837)
A 21 de setembro de 1837, no preciso momento em que a Astrolabe e a Zélée atravessam de noite o estreito de Gibraltar, outro navio de guerra termina a sua viagem em frangalhos. George Back traz de volta o Terror de uma campanha ártica falhada: partido em 1836 para a baía Repulse, ficou preso no gelo perto da ilha Southampton e andou à deriva dez meses, com o casco esmagado e a tripulação roída pelo escorbuto. Libertado no verão de 1837, o Terror atravessa o Atlântico a meter água e acaba encalhado de propósito no Lough Swilly, na Irlanda. Dumont d'Urville parte para os gelos do sul; Back regressa deles, e o seu relato diz o que espera os obstinados.
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Alexander Burnes, Cabool: A Personal Narrative of a Journey to, and Residence in that City, in the Years 1836, 7, and 8 (1836-1838)
Em setembro de 1837, enquanto as corvetas francesas saem do Mediterrâneo, Alexander Burnes entra em Cabul. Este oficial escocês ao serviço da Companhia das Índias vai ali falar de comércio com o emir Dost Mohammad, mas o cerco de Herat pelos persas dá à sua missão um rumo político, e um enviado russo, Ivan Vitkevitch, chega por sua vez à cidade. Burnes observa, frequenta os bazares e os jardins, escreve muito e parte em 1838 sem tratado. Será morto em Cabul em novembro de 1841. Duas missões oficiais da mesma estação: uma procura a sul mares vazios, a outra avança no coração do Grande Jogo entre dois impérios.
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John Wood, A Personal Narrative of a Journey to the Source of the River Oxus (1836-1838)
A 19 de fevereiro de 1838, poucos dias depois de Dumont d'Urville ter renunciado ao polo diante da banquisa, o tenente John Wood, da marinha das Índias, alcança em pleno inverno o planalto do Pamir. Destacado da missão de Alexander Burnes em Cabul, subiu o vale do Wakhan sob a neve, apesar de um frio que faz parte de sua escolta desertar. Encontra ao fim um lago gelado de cerca de catorze milhas de comprimento, a mais de 4.700 metros, de onde sai, segundo ele, o Oxo, o atual Amu Dária. Seu relato é publicado em Londres em 1841. Dois marinheiros diante do gelo, na mesma semana: um no coração da Ásia, o outro à beira do mar de Weddell.
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Thomas Simpson, Narrative of the Discoveries on the North Coast of America (1836-1839)
Enquanto o Astrolabe e a Zélée esbarram na banquisa austral, Thomas Simpson e Peter Warren Dease, da Companhia da Baía de Hudson, passam o inverno de 1837-1838 no forte Confidence, no Grande Lago do Urso, à espera do degelo. Sua missão: levantar a costa ártica da América. Em julho de 1838, os barcos chegam à foz do Coppermine, mas o gelo resiste; detido no cabo Flinders, Simpson prossegue a pé, segue cem milhas de costa e batiza a Terra Vitória. No verão seguinte, os dois homens descobrem o estreito que hoje leva o nome deles. O relato é publicado em 1843, após a morte de Simpson. Mesma estação, mesmo gelo que barra o caminho, nas duas pontas do globo.
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John Lloyd Stephens, Incidents of Travel in Egypt, Arabia Petraea, and the Holy Land (1837)
Em 1836, o americano John Lloyd Stephens segue quase passo a passo a rota de Laborde: o Cairo, o Sinai, a fortaleza de Aqaba, o Wadi Araba, Petra. Viaja com o traje de um mercador do Cairo e, em Aqaba, a guarnição reclama logo o baksheesh: guarda-se ali a memória da chuva de ouro espalhada dez anos antes por Laborde, e Linant ainda é conhecido de todos. No Cairo, aliás, Stephens visitara Linant antes de partir. O seu relato, publicado em 1837, vivo e irónico, tem grande êxito e lança-o rumo às cidades maias. Ler Stephens depois de Laborde é ver a mesma rota tornada mais cara pela passagem do primeiro.
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Paul-Émile Botta, Relation d'un voyage dans l'Yémen, entrepris en 1837 pour le Muséum d'histoire naturelle de Paris (1837)
Um ano antes da escala no Taiti, outro enviado do Museu de História Natural de Paris embrenha-se numa terra que poucos europeus conhecem. Paul-Émile Botta, filho do historiador piemontês Carlo Botta, antigo médico ao serviço do Egito de Mehmet Ali, desembarca no Iémen em 1837 para colher plantas e animais. Herboriza na costa e nas montanhas do interior, descreve o khat que os iemenitas mascam, e leva as suas coleções ao Jardim das Plantas. A sua relação é publicada em Paris em 1841. Alguns anos depois, cônsul em Mossul, desenterrará o palácio assírio de Khorsabad. Como Hombron e Le Guillou no Astrolabe, um naturalista ao serviço da ciência de Estado, com o herbário debaixo do braço.
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Frederick Marryat, A Diary in America, with Remarks on its Institutions (1837-1838)
Desembarcado em Nova York a 4 de maio de 1837, o capitão Frederick Marryat, antigo oficial da Royal Navy tornado romancista do mar, passa dois anos nos Estados Unidos e no Canadá para julgar no local a democracia americana. Vê o pânico bancário de 1837, sobe o Hudson, permanece no Canadá na época da rebelião, depois segue para o Oeste: a 13 de junho de 1838, está no forte Snelling, no alto Mississippi. Seu diário, publicado em 1839, é vivo, zombeteiro e muitas vezes severo; parte do público americano queima o livro e a efígie do autor. Nesses mesmos meses, outro oficial de marinha, Dumont d'Urville, mantém o seu em meio aos gelos, sem outro público que suas tripulações.
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George Grey, Journals of Two Expeditions of Discovery in North-West and Western Australia (1837-1839)
A 5 de julho de 1837, dois meses antes da partida de Toulon, o jovem tenente George Grey deixa Plymouth a bordo do Beagle, o próprio navio de Darwin, para penetrar no interior do noroeste da Austrália. Desembarca na baía Hanover em dezembro de 1837, nos dias em que a Astrolabe entra no estreito de Magalhães. No início de 1838, é ferido por uma lança num confronto com aborígenes e descobre grandes figuras pintadas em abrigos de arenito. Em 1839, uma segunda expedição à baía Shark acaba em desastre: as baleeiras despedaçam-se e o grupo regressa a Perth a pé, esfomeado. Duas aventuras austrais da mesma estação, uma por mar, a outra por terra.
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Emily Eden, Up the Country: Letters Written to Her Sister from the Upper Provinces of India (1837-1840)
A 13 de abril de 1838, cinco dias depois do fundeio em Talcahuano, Emily Eden data de Simla, nos contrafortes dos Himalaias, uma nova carta à irmã que ficou em Inglaterra. Irmã do governador-geral da Índia, Lord Auckland, deixou Calcutá em outubro de 1837 com um imenso séquito, subiu o Ganges e atravessou Benares, Cawnpore e Deli sob a tenda. Passa o verão na estação de altitude e depois chega em novembro a Ferozepore e Amritsar para o encontro com o marajá Ranjit Singh, quando se prepara a guerra do Afeganistão. As suas cartas, divertidas, mordazes e lúcidas, saem em 1866. Outro diário de viagem escrito dia a dia, nos bastidores de um império que avança as suas peças.
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Gustav Rose, Reise nach dem Ural, dem Altai und dem Kaspischen Meere (1837-1842)
Em abril de 1829, quando Prokesch lança âncora diante de Haifa, Alexander von Humboldt deixa Berlim rumo à Rússia com o mineralogista Gustav Rose e o naturalista Christian Gottfried Ehrenberg. Convidados pelo governo do czar, viajam meses a fio em carruagem de posta, visitam as minas dos Urais, chegam ao Altai e à fronteira chinesa, e descem depois por Orenburgo e Astracã até ao Cáspio. É Rose quem redige o relato científico da viagem, publicado em dois volumes em 1837 e 1842. Dois viajantes de língua alemã no mesmo ano, dois olhares de medidores: um sobre os filões da Sibéria, o outro sobre as muralhas de Jerusalém.
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John Lort Stokes, Discoveries in Australia (1837-1843)
Oficial do Beagle, já a bordo durante a viagem de Darwin, John Lort Stokes volta à Austrália no mesmo navio para completar o mapa das costas. Em 1841, chega ao fundo do Golfo da Carpentária, fundeia na Investigator Road da ilha Sweers e encontra ali o rasto da passagem de Flinders. Sobe depois dois rios, a que dá os nomes de Flinders e Albert, e batiza como Plains of Promise as planícies de erva que descobre, promessa de pastagens para os colonos. O seu relato, ilustrado, lê-se como uma segunda visita às margens que encerram este tomo, quarenta anos mais tarde, já com o olhar de uma colónia à procura de terras.
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Charles Fellows, A Journal Written during an Excursion in Asia Minor (1838)
A 19 de abril de 1838, enquanto se repara o Astrolabe em Talcahuano, o viajante inglês Charles Fellows acampa entre os túmulos de uma cidade morta, à beira do Xanto, no sudoeste da atual Turquia. Partido de Esmirna, que lhe serve de base, subiu o vale desde Patara e reconhece Xantos, antiga capital da Lícia, depois Tlos, antes de regressar pela Cária e pela Lídia. Desenha os monumentos, copia as inscrições e publica o seu diário em Londres em 1839. O livro decide o Museu Britânico: em 1842, os mármores de Xantos descem o rio em caixotes rumo a Inglaterra. Mesma primavera, mesmo apetite europeu de coleções, dos crânios araucanos aos túmulos lícios.
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Fanny Kemble, Journal of a Residence on a Georgian Plantation in 1838-1839 (1838-1839)
Enquanto Dumont d'Urville deixa as ilhas Fiji, uma célebre atriz inglesa prepara-se para passar o inverno no Sul dos Estados Unidos. Fanny Kemble casou com Pierce Butler, herdeiro de plantações de arroz e de algodão nas ilhas da costa da Geórgia. De dezembro de 1838 à primavera de 1839, vive no meio de centenas de escravos, escuta as mulheres, trata delas, indigna-se, e regista tudo em cartas a uma amiga. O diário só é publicado em 1863, em Londres, em plena Guerra de Secessão, para pesar sobre a opinião inglesa. Dois olhares sobre arquipélagos distantes: as Fiji vistas do convés de uma corveta, a Geórgia esclavagista vista do interior de uma casa de senhores.
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Xavier Marmier, Lettres sur le Nord : Danemark, Suède, Norvège, Laponie et Spitzberg (1838-1839)
A 13 de junho de 1838, duas semanas depois da partida de Valparaíso, outra corveta do rei, a Recherche, deixa Le Havre rumo ao Norte com a comissão científica dirigida por Paul Gaimard. O escritor Xavier Marmier, tradutor das literaturas escandinavas, junta-se à expedição por Trondheim e depois segue a vapor ao longo das ilhas do Nordland e do Finmark até Hammerfest, onde a corveta faz escala em julho. Descreve a pequena cidade mais setentrional da Europa, os seus pescadores, comerciantes e lapões, e chegará a Spitzberg no ano seguinte, a bordo da mesma corveta. As suas Cartas sobre o Norte saem em 1840. Na mesma estação, a marinha francesa envia os seus sábios para o sol da meia-noite como para os mares do Sul.
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Xavier Marmier, Lettres sur le Nord (1838-1840)
Enquanto Dumont d'Urville deixa os gelos do sul pelos mares quentes, outra expedição francesa da Marinha, a da corveta la Recherche, dirigida pelo naturalista Paul Gaimard, percorre o Grande Norte entre 1838 e 1840. Xavier Marmier, o seu historiador, tira daí cartas publicadas em 1840: a Escandinávia, a Lapónia, as costas de Spitzberg, os fiordes e as pequenas vilas de pescadores. As duas empresas são irmãs, nascidas do mesmo impulso científico da monarquia de Julho. Uma explora o frio, a outra termina a sua campanha nos trópicos, mas ambas misturam hidrografia, história natural e curiosidade pelos povos encontrados.
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Charles Wilkes, Narrative of the United States Exploring Expedition during the Years 1838, 1839, 1840, 1841, 1842 (1838-1842)
Um ano depois do Astrolabe, a esquadra americana de Charles Wilkes segue quase a mesma rota. Partida de Norfolk em agosto de 1838, a expedição faz escala no Taiti em setembro de 1839, levanta as Samoa no outono, e passa depois três meses nas ilhas Fiji em 1840, fundeada nomeadamente diante de Levuka, a Lebouka do comandante. Wilkes manda aí prender o chefe Veidovi, tido por responsável pelo massacre da tripulação do Charles Doggett em 1834, o mesmo ano em que o Aimable-Joséphine foi tomado pela gente de Piva. Em julho, dois oficiais mortos em Malolo provocam uma expedição punitiva. Os cinco volumes do relato, publicados em 1845, prolongam o inquérito de Dumont d'Urville, com a mesma ambição hidrográfica e a mesma violência.
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Adulphe Delegorgue, Voyage dans l'Afrique australe, notamment dans le territoire de Natal, dans celui des Cafres Amazoulous et Makatisses (1838-1844)
Em 1838, o ano em que o Astrolabe costeia os recifes das Fiji, um jovem francês do Norte desembarca no Cabo. Adulphe Delegorgue leu Le Vaillant e quer ver a África austral com os próprios olhos. Sobe até ao Natal, ao país dos zulus, no momento em que os bôeres emigrados enfrentam o rei Dingane, e torna-se testemunha dessa guerra. Caçador incansável, abate hipopótamos, elefantes, leões e búfalos, reúne coleções para os museus de Paris e de Douai, observa os costumes dos amazulus. Os dois volumes saem em 1847, o segundo acrescido de um léxico zulu: a mesma paixão pelos vocabulários que a de Desgraz, anotando as línguas do Taiti, das Samoa e das Fiji.
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Arnauld d'Abbadie, Douze ans de séjour dans la Haute-Éthiopie (1838-1848)
Em fevereiro de 1838, enquanto as corvetas procuram uma passagem nos gelos das Órcades do Sul, dois irmãos desembarcam em Massauá, no mar Vermelho: Antoine e Arnauld d'Abbadie, filhos de pai basco e mãe irlandesa. Ficarão dez anos na Etiópia, no tempo em que o país está dilacerado entre príncipes rivais, e chegarão às regiões então mal conhecidas de Ennarea e Kaffa. Antoine mede, observa, reúne manuscritos e sonha com as nascentes do Nilo; Arnauld vive junto aos senhores, partilha suas cavalgadas e aprende seus costumes. Seu relato só é publicado em 1868. Outro empreendimento francês da mesma estação, voltado não para os gelos, mas para os altos planaltos da África.
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Astolphe de Custine, La Russie en 1839 (1839)
Em julho de 1839, nove meses depois da taça de cava bebida em Pao, o marquês Astolphe de Custine desembarca em São Petersburgo. Nascido em 1790, como Dumont d'Urville, vem ver de perto a autocracia de Nicolau I, que imagina como um baluarte contra as desordens da Europa. Assiste às festas da corte, percorre Moscovo, avança até Iaroslavl e Níjni Novgorod, e regressa convertido em sentido contrário: a polícia, o medo e a mentira oficial esmagaram-no. As suas cartas, publicadas em 1843, causam escândalo e são proibidas no Império. Um aristocrata que julga um soberano absoluto, um comandante que sermoneia a rainha Pomaré: dois franceses da mesma idade perante cortes estrangeiras.
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Charles Darwin, Voyage d'un naturaliste autour du monde (1839)
Em 29 de fevereiro de 1832, o Beagle fundeia diante de Salvador. Charles Darwin, com vinte e três anos, entra pela primeira vez numa floresta tropical e anota que a palavra deleite é fraca demais para dizer o que sente um naturalista. Na Bahia, observa insetos luminosos, aranhas, um baiacu que se enche de água; mais adiante em seu livro, dirá sua cólera contra a escravidão brasileira. Este relato, publicado em 1839, é também um livro de juventude: quase a mesma idade de Ver Huell, a mesma primeira grande partida, o mesmo encantamento de desenhista e colecionador diante da natureza da baía de Todos os Santos, com um quarto de século de intervalo.
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William Cornwallis Harris, The Wild Sports of Southern Africa (1839)
Oficial do exército das Índias em licença, Harris deixa a Cidade do Cabo em 1836 e sobe para o norte, até o país do chefe Mzilikazi (Moselekatse) e o trópico de Capricórnio. Caça, desenha e descreve uma fauna ainda intacta, no momento em que os colonos bóeres se põem em marcha rumo ao interior. Publicado em 1839, o seu relato aparece quando o Astrolabe costeia as Salomão. Os dois livros respondem-se: a mesma paixão naturalista, a mesma relação ambígua com os soberanos africanos ou oceânicos, acolhedores e temidos, e o mesmo pressentimento de um mundo que vai mudar sob a pressão europeia.
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John Lloyd Stephens, Incidents of Travel in Central America, Chiapas, and Yucatan (1839-1840)
No outono de 1839, enquanto o Erebus e o Terror descem o Atlântico rumo aos mares austrais, o advogado nova-iorquino John Lloyd Stephens desembarca na América Central, encarregado de uma missão diplomática, com um companheiro precioso: o desenhador inglês Frederick Catherwood. Os dois abrem caminho a golpes de catana na floresta das Honduras, libertam as estelas de Copán, chegam a Palenque através de um país dilacerado pela guerra civil e depois aos palácios de Uxmal, no Iucatão. O relato, publicado em 1841 com as gravuras de Catherwood, revela ao público a grandeza das cidades maias. O mesmo gosto do inventário e da medida que em Ross, mas a terra desconhecida está aqui coberta de ruínas, não de gelo.
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Maximiliano de Wied-Neuwied, Reise in das innere Nord-America (1839-1841)
Naturalista renano já conhecido pela sua viagem ao Brasil, o príncipe Maximiliano de Wied-Neuwied chega à América em 1832 com o pintor suíço Karl Bodmer. Passam o inverno de 1832 para 1833 em New Harmony, a antiga cidade dos harmonistas que Rapp entretanto vendera a Robert Owen, e sobem depois o Missouri desde Saint Louis até à terra dos mandan e dos pés-negros. O livro, ilustrado com as aguarelas de Bodmer, prolonga a rota de Ernst para lá do Mississípi. Onde Ernst admirava em 1819 uma Harmony de crentes laboriosos, Maximiliano encontra uma cidade de sábios e reformadores, sinal da rapidez com que o Oeste muda de rosto.
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Hans Christian Andersen, Le Bazar d'un poète (1840-1841)
Na primavera de 1841, Hans Christian Andersen regressa de Constantinopla pelo mar Negro e pelo Danúbio, nos barcos a vapor que agora sobem o rio até Viena. Faz quarentena em Orsova, a cidade fronteiriça onde Mayr passara vinte e um dias no lazareto em novembro de 1813, e descreve as margens búlgaras, sérvias e valáquias. O livro, publicado em 1842, faz desse trajeto um quadro poético. O que para Mayr fora uma travessia perigosa em caravana e em barco tornou-se, uma geração mais tarde, um cruzeiro a vapor; mas o lazareto quase não mudou.
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Edward Robinson et Eli Smith, Biblical Researches in Palestine, Mount Sinai and Arabia Petraea (1841)
Em 1838, o biblista americano Edward Robinson percorre a Palestina com o missionário Eli Smith, arabista consumado. Bíblia na mão, bússola e fita métrica nas alforjes, interrogam os aldeões sobre os nomes árabes dos lugares e descobrem por baixo deles uma multidão de sítios bíblicos esquecidos. Em Jerusalém, Robinson repara, no flanco do muro ocidental, no arranque de um arco antigo que hoje leva o seu nome. As suas Biblical Researches, publicadas em 1841, fundam a geografia histórica da Terra Santa. Nove anos antes, Prokesch já praticava este método de oficial topógrafo: marcações à bússola, medição das muralhas, discussão dos textos antigos sobre o recinto.
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William Moorcroft e George Trebeck, Travels in the Himalayan Provinces of Hindustan and the Panjab (1841)
Veterinário da Companhia das Índias encarregado das suas coudelarias, William Moorcroft deixa o norte da Índia em 1819, o ano da viagem de Ernst, em busca de cavalos da Ásia Central capazes de remontar a cavalaria britânica. Com o jovem George Trebeck, demora-se no Ladakh e em Caxemira, passa por Cabul e chega a Bucara em 1825; ambos morrem no caminho de regresso. Os seus diários, publicados em 1841, partilham com Ernst um olhar prático: solos, gado, estradas, preços, recursos. Mas Moorcroft embrenha-se em reinos fechados aos europeus, enquanto Ernst percorre uma terra aberta a todos os recém-chegados.
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William Allen et T. R. H. Thomson, A Narrative of the Expedition Sent by Her Majesty's Government to the River Niger in 1841 (1841-1842)
Em agosto de 1841, três vapores da Royal Navy, o Albert, o Wilberforce e o Soudan, sobem o Níger com um programa ambicioso: assinar tratados contra o tráfico de escravos, fundar uma quinta modelo na confluência do Benué, abrir ao comércio o interior da África Ocidental. A febre decide de outra maneira. Em poucas semanas, abate a maioria dos europeus e mata dezenas deles, e os navios descem o rio com as tripulações dizimadas. O relato do capitão William Allen e do cirurgião Thomson, saído em 1848, é a crónica minuciosa desse fracasso. Mesmo Almirantado, mesmo ano que Ross na banquisa, mas aqui a morte vem do clima, não do gelo.
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William Cornwallis Harris, The Highlands of Aethiopia (1841-1843)
Dois anos depois da passagem das corvetas por Macassar, o oficial britânico William Cornwallis Harris conduz uma embaixada ao reino de Choa, nos planaltos da Etiópia. Atravessa o deserto desde a costa, chega à corte do rei Sahle Selassié e aí permanece longamente, anotando cerimónias, mercados, igrejas e escravatura. O seu relato, publicado em 1844, serve tanto a ciência como a diplomacia: a Grã-Bretanha procura aliados e rotas comerciais. Encontra-se em Dumont d'Urville a mesma leitura dos poderes locais, do regente de Goa ao orang-kaya de Warrou, e a mesma atenção às trocas que ligam as cortes indígenas às potências europeias.
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Alexander Burnes, Cabool (1842)
De 1836 a 1838, o oficial escocês Alexander Burnes reside em Cabul junto ao emir Dost Mohammad, encarregado pela Companhia das Índias de uma missão comercial que logo se torna política. Observa a cidade, seus bazares, suas tribos e o jogo de influências entre britânicos e russos. O relato sai após a sua morte, assassinado em Cabul em 1841. Como as páginas deste tomo sobre Ternate e Amboina, mostra uma potência europeia que se instala junto de príncipes locais por tratados, guarnições e comércio. De um extremo ao outro da Ásia, a mesma gramática imperial se escreve naqueles anos.
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Charles Dickens, American Notes (1842)
Na primavera de 1842, Charles Dickens, já célebre, desce o Ohio em barco a vapor até Cincinnati e Louisville, e chega depois a Saint Louis pelo Mississípi. Vai até uma pradaria do Illinois, a Looking Glass Prairie, e regressa desiludido: a imensa planície parece-lhe monótona. A confluência do Ohio com o Mississípi, em Cairo, inspira-lhe uma página sombria sobre pântanos e febres. O romancista vê com olhos de citadino as paisagens que Ernst avaliava como agrónomo, e a comparação é saborosa: o que encantava o futuro colono aborrece o visitante com pressa de voltar aos seus leitores.
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Herman Melville, Typee: A Peep at Polynesian Life (1842)
Em julho de 1842, quatro anos depois do Astrolabe, o baleeiro americano Acushnet fundeia na baía de Taiohae, poucas semanas depois de o almirante Dupetit-Thouars ter tomado posse de Nuku Hiva em nome de Luís Filipe. Um marinheiro de vinte e dois anos, Herman Melville, deserta com um camarada, Toby, transpõe as cristas e desce ao vale dos Taipi, essa baía que o comandante tinha costeado ao dobrar a ponta Martin sem ver as aldeias populosas descritas por Porter. Fica ali algumas semanas, que o seu livro estica para quatro meses. Typee, publicado em 1846, mistura recordações, leituras e invenção; faz do vale um paraíso ameaçado e lança a carreira do futuro autor de Moby Dick.
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Herman Melville, Omoo: A Narrative of Adventures in the South Seas (1842)
Quatro anos depois da rainha em lágrimas de Papeete, um marinheiro americano desembarca no Taiti na sequência de um motim. Herman Melville deixou Nuku Hiva, onde vivera entre os Taipis de que Hutchinson falava ao comandante, a bordo do baleeiro australiano Lucy Ann. Em Papeete, a tripulação revoltada é encerrada pelas autoridades taitianas; Melville vagueia depois pelas ilhas com um companheiro fantasioso, o doutor Long Ghost, chega a Eimeo e tenta aproximar-se da corte de Pomaré. Chega em 1842, no momento em que a França impõe o seu protetorado. Omoo, publicado em 1847, conta com ironia os missionários, os marinheiros desertores e a sociedade da praia que Dumont d'Urville já descrevia.
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Max Radiguet, Les Derniers Sauvages : souvenirs de l'occupation française aux îles Marquises, 1842-1859 (1842)
Embarcado na Reine-Blanche, a fragata do almirante Dupetit-Thouars, Max Radiguet assiste em 1842 à tomada de posse das Marquesas: Tahuata a 1 de maio, Nuku Hiva no início de junho. Desenha, observa, interroga, e deixa do rei de Tahuata, esse Hio-tete que o marquesano Moë apresentava ao comandante do Astrolabe como um homem mau, um retrato que ficou famoso: um busto de Luís XVIII mergulhado em índigo. As suas recordações contam a vida em Taiohae e em Tahuata, as tatuagens, as festas, os chefes, a revolta de Hio-tete e os primeiros tempos da ocupação francesa. O livro retoma o relato quase onde este tomo termina, no fundeadouro de Taiohae, quatro anos depois.
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Joseph Beete Jukes, Narrative of the Surveying Voyage of H.M.S. Fly (1842-1846)
Naturalista e geólogo do Fly, Joseph Beete Jukes passa quatro anos a levantar a Grande Barreira e o Estreito de Torres, que Flinders atravessara às apalpadelas. Em 1844, a expedição ergue uma baliza de pedra na ilha Raine, na borda exterior do recife, para indicar aos navios uma abertura segura. Jukes descreve longamente os recifes vistos de dentro e de fora, e retoma a questão da formação das ilhas de coral que Flinders colocava em Half-way Island. Encontra também os ilhéus do estreito, nomeadamente em Darnley, e deixa deles retratos vivos, que prolongam as páginas deste tomo sobre as ilhas Murray.
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Joseph Beete Jukes, Relation du voyage hydrographique du HMS Fly (1842-1846)
Geólogo embarcado no HMS Fly, Jukes passa quatro anos a acompanhar a equipa que levanta a Grande Barreira de Coral e o Estreito de Torres, com um rigor que torna enfim segura a rota que Flinders abrira ao preço de tantas noites de angústia. Descreve o crescimento dos recifes, a vida dos insulares do estreito, as canoas e os mercados de tartaruga, e a construção de uma baliza na ilha de Raine para guiar os navios até à passagem. O seu relato, publicado em 1847, mostra o mar de Coral convertido em rota comercial: os perigos que Flinders assinalava estão agora cartografados, balizados, quase domesticados.
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Gérard de Nerval, Voyage en Orient (1843)
Nove anos depois de Macbrair, Gérard de Nerval desembarca em Alexandria no início de 1843 e instala-se no Cairo, onde aluga uma casa, compra uma escrava javanesa e ouve contar a lenda do califa Hakem. Segue depois para Beirute e para a montanha do Líbano, no coração das rivalidades entre drusos e maronitas que Macbrair já via fermentar sob Ibrahim Paxá. A sua Voyage en Orient, publicada em 1851, mistura reportagem, devaneio e narrativas encaixadas. O contraste é total: o poeta procura no Oriente um mistério para amar, o missionário um povo para salvar, mas ambos descrevem a mesma cidade fervilhante, os seus cafés, os seus mercados e as suas vielas.
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John Lloyd Stephens, Incidents of Travel in Yucatan (1843)
No momento em que Ida Pfeiffer percorre Constantinopla, John Lloyd Stephens e o desenhador Frederick Catherwood concluem a sua segunda campanha no Iucatão, iniciada no outono de 1841. Em lombo de mula, no calor e na febre, levantam dezenas de cidades maias invadidas pela floresta: Uxmal, Chichén Itzá, Tulum. Stephens já conhecia o Oriente, pois atravessara o Egito, Petra e a Terra Santa alguns anos antes. O seu olhar sobre as ruínas do Iucatão responde ao de Pfeiffer diante de Baalbek ou das pirâmides: a mesma curiosidade concreta, o mesmo gosto pelos pormenores práticos de uma viagem difícil, a mesma certeza de ter diante dos olhos um passado imenso.
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Charles Wilkes, Narrative of the United States Exploring Expedition (1844)
Em fevereiro de 1842, dois anos e meio depois dos franceses, a expedição americana de Charles Wilkes lança âncora diante do povoado de Soung, em Jolo. Reencontra ali o datu Molu, que servira de intermediário a Dumont d'Urville, e um sultão de olhos avermelhados pelo ópio, cercado por seus filhos e conselheiros. Wilkes, que acaba de fazer escala em Caldera, pequeno forte espanhol vizinho de Zamboanga, está ali para assinar um tratado de comércio e de proteção dos navios. Suas páginas sobre Sulu, retomadas numa coletânea de acesso livre na internet, formam o contracampo exato dos capítulos deste tomo: mesmos personagens, mesma corte, mesma desconfiança, vistos desta vez por um oficial americano.
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Charles Dickens, Pictures from Italy (1844-1845)
No verão de 1844, quando Thackeray parte para o Oriente, Charles Dickens, o seu grande rival, instala-se com a família em Génova para um ano italiano. Percorre Parma, Bolonha, Veneza, Roma, onde assiste ao carnaval e às cerimónias da Semana Santa, depois Nápoles e o Vesúvio, cuja cratera sobe em plena noite. Os dois livros saem no mesmo ano, 1846, e contam a mesma descoberta: o turista inglês diante dos monumentos que lhe ensinaram a admirar. Dickens, como Thackeray, troça dos guias e dos entusiasmos por encomenda, e detém-se de bom grado mais na multidão, na miséria e na vida das ruas do que nas obras-primas.
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Ludwig Leichhardt, Journal of an Overland Expedition in Australia (1844-1845)
Em outubro de 1844, o naturalista prussiano Ludwig Leichhardt deixa as Darling Downs, a oeste de Moreton Bay, para chegar por terra a Port Essington, na costa norte. Chega ali mais de catorze meses depois, tendo perdido o naturalista John Gilbert, morto num ataque noturno. A sua rota segue o fundo do Golfo da Carpentária, que Flinders levantara a partir do mar: onde o Investigator via apenas uma costa baixa orlada de bancos, Leichhardt descobre rios, planícies e os povos que ali vivem. O seu diário faz ler ao contrário o fim deste tomo, do interior das terras para o litoral.
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Ludwig Leichhardt, Journal of an Overland Expedition in Australia, from Moreton Bay to Port Essington (1844-1845)
A 1 de outubro de 1844, poucos dias antes de Thackeray cavalgar de Jafa para Jerusalém, o naturalista prussiano Ludwig Leichhardt deixa os Darling Downs, no leste da Austrália, com um pequeno grupo de colonos, dois guias aborígenes e bois de carga. Quer alcançar por terra o posto de Port Essington, na costa norte. Catorze meses depois, tendo perdido o naturalista John Gilbert, morto num ataque noturno, o grupo exausto chega ao destino em dezembro de 1845, quando já o davam por perdido. O seu diário, publicado em Londres em 1847, é o exato inverso do cruzeiro de Thackeray: nenhum horário, nenhum hotel, apenas rios por nomear e víveres por racionar.
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Évariste Huc, Souvenirs d'un voyage dans la Tartarie et le Thibet (1844-1846)
Alguns anos depois da expedição, dois lazaristas franceses, Évariste Huc e Joseph Gabet, atravessam a Mongólia e as estepes de Kokonor às costas de camelo, disfarçados de lamas, até Lhasa, onde chegam em 1846 antes de serem expulsos para a China. O relato de Huc, cheio de humor e de pormenores sobre a vida das caravanas, tem um êxito imenso. No outro extremo da Ásia, Dumont d'Urville descreve sociedades mercantis abertas ao mar; Huc, mundos do interior fechados aos estrangeiros. Os dois livros testemunham a mesma geração francesa que se apodera dos confins do continente asiático e dos seus arquipélagos.
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Évariste Huc, Souvenirs d'un voyage dans la Tartarie, le Thibet et la Chine (1844-1846)
Em 1844, o mesmo ano em que Thackeray embarca em Southampton, dois lazaristas franceses, Évariste Huc e Joseph Gabet, deixam a sua missão nos confins da Grande Muralha para chegar ao Tibete. Vestidos de lamas, seguem as caravanas através da Mongólia, do deserto de Ordos e do Koukou-Nor, suportam um inverno terrível nos altos planaltos e entram em Lassa em janeiro de 1846, antes de serem expulsos para a China. Onde Thackeray viaja de camarote num vapor, Huc avança ao passo dos camelos, longe de qualquer correio. Mas os dois partilham o mesmo talento: o humor, o olho para o pormenor cómico e a curiosidade pela oração dos outros povos.
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Edward John Eyre, Journals of Expeditions of Discovery into Central Australia, and Overland from Adelaide to King George's Sound (1845)
Em 1840 e 1841, do outro lado do mar de Timor, Edward John Eyre tenta atravessar a Austrália Meridional rumo ao oeste, ao longo de uma costa sem água doce. Seu companheiro John Baxter é morto numa noite por dois dos guias aborígenes; Eyre prossegue apenas com Wylie, bebendo orvalho e comendo seus cavalos, até King George's Sound. Seus diários, publicados em 1845, estão entre os relatos de sobrevivência mais duros do século. Iluminam por contraste o universo de Dumont d'Urville: onde as corvetas francesas encontram por toda parte feitorias, governadores e mercados, Eyre caminha num país em que a colônia só se sustenta ainda nas bordas.
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Ida Pfeiffer, Reise nach dem skandinavischen Norden und der Insel Island im Jahre 1845 (1845)
Ida Pfeiffer, burguesa vienense que esperou ter criado os filhos para partir, fizera sozinha em 1842 a viagem a Constantinopla, à Terra Santa e ao Egito, dois anos antes de Thackeray. Em 1845, escolhe o frio: por Copenhaga, chega à Islândia, visita Reiquiavique, os géiseres, os campos de lava e as quintas de turfa, sobe o Hekla e regressa depois pela Noruega e pela Suécia. O livro sai em 1846, o mesmo ano que o de Thackeray. O contraste é saboroso: onde o escritor inglês se queixa do hotel, esta viajante sem fortuna dorme em casa de camponeses, come o que lhe oferecem e anota tudo com uma precisão sem artifícios.
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John Charles Frémont, Report of the Exploring Expedition to the Rocky Mountains in the Year 1842, and to Oregon and North California in the Years 1843-44 (1845)
No verão de 1842, enquanto Ida Pfeiffer segue a cavalo as estradas do Líbano, o tenente John Charles Frémont sobe o vale do Platte rumo às Montanhas Rochosas, guiado por Kit Carson. Atravessa o South Pass, passagem-chave da futura Pista do Oregon, e crava a bandeira americana num cume dos montes Wind River que julga ser o mais alto da cordilheira. O seu relatório, muito lido, servirá de guia aos emigrantes. Duas viagens de 1842 que se assemelham pelo gosto das medidas, das distâncias e das paragens, mas que tudo separa: uma abre um território à conquista, a outra segue caminhos de peregrinos com quinze séculos.
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Francis Parkman, The Oregon Trail (1846)
Dois anos depois do cruzeiro de Thackeray, um jovem licenciado de Harvard, Francis Parkman, parte de Saint Louis com o primo Quincy Adams Shaw para seguir a pista do Oregon no meio das carroças de emigrantes. Doente, passa ainda assim várias semanas com um bando de sioux oglalas, partilha as suas caçadas ao bisonte e observa os seus acampamentos com a curiosidade de um historiador. Publicado primeiro em folhetim, depois em volume em 1849, o seu relato mostra outra face do ano em que Thackeray se maravilha com o vapor: noutros lugares, a viagem faz-se ainda a cavalo, ao ritmo das estações. Os dois têm em comum um olhar lúcido, por vezes duro, sobre os povos que encontram.
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John MacGillivray, Narrative of the Voyage of H.M.S. Rattlesnake (1846-1850)
Naturalista do Rattlesnake, comandado por Owen Stanley, John MacGillivray acompanha de 1846 a 1850 o levantamento da rota interior de Queensland, do Estreito de Torres e da costa sul da Nova Guiné; o jovem Thomas Henry Huxley está a bordo como cirurgião-adjunto. No cabo York, em 1849, a tripulação recolhe Barbara Thompson, jovem náufraga escocesa que vivera quase cinco anos entre os ilhéus da ilha do Príncipe de Gales. MacGillivray regista o seu testemunho, precioso sobre as línguas e os costumes do estreito. Reencontram-se ali as ilhas e os fundeadouros que Flinders nomeara, agora frequentados por navios.
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Harriet Martineau, Eastern Life, Present and Past (1848)
Quatro anos depois de Ida Pfeiffer, a inglesa Harriet Martineau, já célebre pelos seus escritos de economia política, parte por sua vez para o Oriente no fim de 1846. Sobe o Nilo até à Núbia, atravessa o Sinai, visita Petra, depois Jerusalém, a Galileia e Damasco. Como a vienense, viaja como mulher madura, sem se deixar deter pelas fadigas da sela e das tendas. Mas onde Pfeiffer reza, Martineau raciocina: o seu livro faz dos templos egípcios e dos lugares santos as etapas de uma história das religiões, a ponto de escandalizar parte dos seus leitores. Duas mulheres diante das mesmas pedras, duas maneiras de crer.
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John Elphinstone Erskine, Journal of a Cruise among the Islands of the Western Pacific (1849)
De junho a outubro de 1849, o capitão John Elphinstone Erskine conduz o navio britânico Havannah das Samoa às Tonga, depois às Fiji, às Novas Hébridas e à Nova Caledónia. Nas Fiji, fundeia em Ovalau, descreve a aldeia de Levuka entrincheirada atrás do seu fosso, recebe a bordo o missionário Hazlewood e chefes cristãos na baía de Bua, e conversa com Cakobau, filho do velho Tanoa, por intermédio do missionário Calvert. O relato, publicado em Londres em 1853, mostra o caminho percorrido numa década pelas missões wesleyanas que Dumont d'Urville via implantarem-se. Lebouka, Boua, Bau: os nomes deste tomo regressam sob a pena de um oficial inglês, com a mesma questão do canibalismo.
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Gustave Flaubert, Voyage en Orient (1849-1851)
Cinco anos depois de Thackeray, Gustave Flaubert e o amigo Maxime Du Camp, encarregado de fotografar os monumentos, desembarcam em Alexandria em novembro de 1849. Sobem o Nilo até à segunda catarata, trepam às Pirâmides, passam depois por Beirute, Jerusalém, Rodes, Esmirna, Constantinopla e Atenas, antes de regressar em 1851. A maior parte das escalas orientais de Thackeray reencontra-se aqui, mas vistas por um homem que foge do pitoresco convencional tanto como ele e procura a sensação em bruto: o calor, a sujidade, as almeias, a morte. As suas notas e cartas, publicadas depois da sua morte, têm a liberdade de um caderno íntimo. O Santo Sepulcro desilude Flaubert como tinha irritado Thackeray.
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Thomas Eyre Poole, La vie, les paysages et les mœurs en Sierra Leone et en Gambie (1850)
Capelão colonial e da guarnição de Freetown, o reverendo Thomas Eyre Poole publica em Londres, em 1850, dois volumes sobre as colónias britânicas da África Ocidental, Life, Scenery, and Customs in Sierra Leone and the Gambia. Da Serra Leoa passa à Gâmbia, visita os estabelecimentos do rio e sobe-o longamente. Retrata a vida dos colonos, dos africanos libertados e dos povos ribeirinhos, demora-se nas igrejas mal conservadas, nos cemitérios invadidos pelas ervas e nas febres que ceifam os europeus, das quais ele próprio escapa várias vezes. O leitor reencontra a colónia frágil, as suas feitorias e as suas missões que Macbrair conhecera, vistas agora por um homem da Igreja anglicana e não metodista.
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Richard Lepsius, Briefe aus Aegypten, Aethiopien und der Halbinsel des Sinai (1852)
Enviado pelo rei da Prússia à frente de uma grande expedição científica, o egiptólogo Richard Lepsius percorre o Egito e o Sudão de 1842 a 1845. Sobe até Méroe e ao Nilo Azul, e depois fixa-se em Jebel Barkal, cujos templos e pirâmides levanta com uma precisão nova. As suas cartas, publicadas em 1852, contam a viagem dia a dia. Lepsius identifica as ruínas de Jebel Barkal com Napata, a antiga capital dos reis de Kush, conclusão que Waddington já defendia. O antiquário de Cambridge tinha razão, com meios bem mais modestos e em plena guerra.
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Edmond Reuel Smith, The Araucanians, or Notes of a Tour among the Indian Tribes of Southern Chili (1853)
A 4 de janeiro de 1853, Edmond Reuel Smith deixa Concepción rumo à fronteira do Biobío. Jovem americano ligado à expedição astronómica enviada ao Chile pela marinha dos Estados Unidos, abandonou o serviço para ver de perto esses araucanos de que todo o país fala. Com um intérprete, passa o rio, vai de cacique em cacique, assiste às cerimónias das machis, às danças e aos funerais, e regressa a Concepción antes de descer a baía de Talcahuano. O seu livro sai em 1855. Quinze anos depois do Astrolabe, prolonga as páginas que Dumont d'Urville dedica aos araucanos a partir do vice-cônsul Bardel e do padre Gil, e a sua visita ao velho cacique Penoleo, o último herói de Ercilla.
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Richard Burton, Personal Narrative of a Pilgrimage to Al-Madinah and Meccah (1853)
No verão de 1853, enquanto Énault embarca em Marselha, o oficial britânico Richard Burton, disfarçado de médico muçulmano vindo do Afeganistão, chega a Medina e depois a Meca com a caravana da peregrinação. Duas peregrinações do mesmo verão, nos dois polos do mundo mediterrânico: uma, cristã, aberta, protegida pelos cônsules e pelo vapor; a outra, proibida aos não muçulmanos, cumprida sob nome falso com risco de vida. O relato de Burton, publicado em 1855 e 1856, descreve os ritos, as multidões e os caminhos do Hejaz com uma precisão de etnógrafo e um gosto marcado pelo perigo.
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Frederick Law Olmsted, A Journey through Texas (1853-1854)
No final de 1853, o jornalista nova-iorquino Frederick Law Olmsted, futuro criador do Central Park, parte a cavalo com o irmão através do Texas por conta do New York Daily Times. Descreve as plantações esclavagistas, os colonos alemães de New Braunfels, os mexicanos de San Antonio e a fronteira índia. O livro sai em 1857. Como Énault, Olmsted escreve como jornalista para um público vasto: no mesmo ano, dois observadores vindos da imprensa percorrem uma terra disputada e tiram dela um relato vivo, rico em encontros, episódios e juízos categóricos.
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Matthew C. Perry, Narrative of the Expedition of an American Squadron to the China Seas and Japan (1853-1854)
Em julho de 1853, poucas semanas antes da partida dos peregrinos, os navios negros do comodoro Matthew Perry entram na baía de Edo e obrigam o Japão, fechado havia dois séculos, a receber uma carta do presidente dos Estados Unidos. Perry regressa em 1854 e obtém o tratado de Kanagawa. O relato oficial, redigido pelo pastor Francis Hawks a partir dos diários de Perry e dos seus oficiais, sai em 1856. O mesmo ano de 1853 vê assim o Ocidente forçar as portas do Japão e as potências europeias disputarem as chaves do Santo Sepulcro, prelúdio da guerra da Crimeia.
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Elisha Kent Kane, Arctic Explorations (1853-1855)
A 30 de maio de 1853, três meses antes do embarque dos peregrinos em Marselha, o médico naval norte-americano Elisha Kent Kane deixa Nova Iorque a bordo do Advance em busca da expedição Franklin. O navio fica preso nos gelos do norte da Gronelândia durante dois invernos: escorbuto, fome, deserção de parte da tripulação e, por fim, uma retirada de mais de oitenta dias de bote e de trenó até aos postos dinamarqueses. O relato, publicado em 1856, tem um êxito imenso. É o contraponto gelado da viagem de Énault: o mesmo ano, o mesmo gosto pelo relato vivo, mas uma provação no limite da sobrevivência.
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David Livingstone, Missionary Travels and Researches in South Africa (1853-1856)
Em novembro de 1853, o missionário escocês David Livingstone deixa Linyanti, no alto Zambeze, para chegar a Luanda e à costa atlântica, que alcança em maio de 1854; parte depois de novo para leste, descobre as cataratas Vitória em 1855 e completa em 1856 a travessia do continente. O seu livro, publicado em 1857, faz dele o viajante mais célebre do seu tempo. O zelo missionário que o impele através de África responde ao fervor católico de Énault na Terra Santa: duas maneiras, nos mesmos meses, de levar o cristianismo para fora da Europa e de o contar.
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Léonie d'Aunet, Voyage d'une femme au Spitzberg (1854)
Em 1839, uma jovem parisiense de dezenove anos consegue acompanhar a comissão científica do Norte, a da corveta La Recherche, chefiada por Paul Gaimard. Pela Holanda, Dinamarca, Suécia e Noruega, chega a Spitsbergen e volta depois pela Lapónia. Publicado quinze anos mais tarde sob a forma de cartas, o seu relato mistura curiosidade, humor e frio. É o par boreal da viagem de Dumont d'Urville: a mesma marinha francesa, a mesma ambição científica, mas um olhar de mulher a bordo, coisa rara, e os gelos do outro extremo do mundo.
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Alfred Russel Wallace, The Malay Archipelago (1854-1862)
Durante oito anos, o naturalista inglês Alfred Russel Wallace percorre as ilhas do arquipélago malaio à procura de aves e de insetos. Estadeia em Macassar, o porto de onde partiam os praus de Pobassoo, e passa por Timor, onde Flinders encontrara uma escala para os seus doentes. É no decurso destas viagens que concebe, ao mesmo tempo que Darwin, a teoria da seleção natural e traça a fronteira entre as faunas da Ásia e da Austrália. O seu livro, publicado em 1869, esclarece todo o pano de fundo asiático deste tomo: os mercadores, os portos e as ilhas que já olhavam para as costas australianas.
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Ida Pfeiffer, Meine zweite Weltreise (1856)
Vienense que partiu sozinha para dar a volta ao mundo, Ida Pfeiffer chega a Bornéu no fim de 1851. De Kuching, na casa do rajá branco James Brooke, atravessa com uma pequena escolta, de piroga e a pé, o país dos dayaks, dorme em suas casas longas e alcança Pontianak, na costa ocidental, em fevereiro de 1852. Passa em seguida por Java e chega até o país batak, em Sumatra. Seu relato, publicado em 1856 e logo traduzido, percorre à altura de gente a costa que os botes da Astrolabe apenas roçaram na foz do Sambas, e dá carne aos dayaks de quem o manuscrito holandês citado por Dumont d'Urville só falava de longe.
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Ludwig August Frankl, Nach Jerusalem! (1856)
Três anos depois de Énault, o poeta vienense Ludwig August Frankl, secretário da comunidade judaica de Viena, vai a Jerusalém em 1856 para aí fundar uma escola moderna, a fundação Lämel. O seu livro, publicado em 1858, descreve por dentro o que Énault via de fora: a vida das comunidades judaicas da cidade, a sua pobreza, as suas querelas, as relações com os cônsules e com as autoridades otomanas. O peregrino católico detinha-se no Muro das Lamentações; Frankl entra nas casas, nas sinagogas e nos hospícios, e dá à Jerusalém desses anos um rosto que os relatos cristãos deixavam na sombra.
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Herman Melville, Journal of a Visit to Europe and the Levant (1856-1857)
No outono de 1856, Herman Melville, esgotado pelos fracassos de Moby Dick e de Pierre, parte sozinho para o Mediterrâneo. Descobre Constantinopla, desce ao Egito, onde as Pirâmides o esmagam, depois desembarca em Jafa e passa várias semanas na Palestina, de Jerusalém ao mar Morto, antes de Beirute, da Grécia e da Itália. O seu diário, rabiscado dia a dia e publicado só no século XX, segue quase o percurso de Thackeray, mas noutro tom: onde o inglês gracejava diante do Santo Sepulcro, o americano encontra um deserto espiritual. Desta viagem nascerá Clarel, longo poema sobre a dúvida religiosa publicado em 1876.
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Ida Pfeiffer, Voyage à Madagascar (1856-1858)
A viajante vienense, que já deu duas vezes a volta ao mundo, passa pela Maurícia antes de seguir para Madagáscar em 1857. Descreve Port Louis, a criadagem crioula e indiana, os grandes jantares, as casas de campo, as plantações de cana, os trabalhadores vindos da Índia, o jardim botânico e as cascatas. Depois Madagáscar prende-a numa conspiração contra a rainha Ranavalona, da qual sai expulsa e doente. De volta à Maurícia, trata ali uma febre de que morrerá em Viena. Meio século depois de Flinders, a mesma hospitalidade crioula, vista desta vez por uma mulher sozinha.
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James Wetherell, Brazil. Stray Notes from Bahia (1860)
Vice-cônsul britânico na Bahia durante cerca de quinze anos, James Wetherell morre em 1858 sem ter publicado suas notas; William Hadfield as edita em 1860. São fragmentos vivos e precisos: as cadeiras carregadas ao ombro por escravos, os ganhadores que cantam sob suas cargas, a carne de baleia vendida no mercado, as festas, a criança morta levada numa cadeira enfeitada de fitas antes de ser enterrada. Quase tudo o que Ver Huell descobrira em 1808 ainda está ali, pouco mudado, sob o olhar de outro estrangeiro instalado na cidade. O livro mostra como a sociedade baiana mudou pouco em meio século.
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Lucie Duff Gordon, Lettres d'Égypte (1862-1869)
Atingida pela tuberculose, Lucie Duff Gordon parte em 1862 em busca de um ar mais seco no Egito, onde passa os últimos anos da sua vida. Instala-se em Luxor, na «casa francesa» construída sobre os telhados do templo, aprende árabe, trata os camponeses, recebe notáveis e coptas, e escreve à família cartas de uma liberdade rara, publicadas a partir de 1865 com o título Letters from Egypt. Descreve nelas a corveia, os impostos e os recrutamentos forçados que esmagam os felás, como Macbrair trinta anos antes sob Mehmet Ali. Mas onde o missionário via almas a ganhar, ela vê vizinhos e amigos, e ao lê-la mede-se tudo aquilo que a arrogância europeia deixava escapar.
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Albert S. Bickmore, Travels in the East Indian Archipelago (1865)
Em 1865, o jovem naturalista americano Albert Bickmore deixa Batávia rumo às Molucas, nas pegadas das conchas descritas por Rumphius dois séculos antes. Passa por Macassar, fica em Amboíno e nas ilhas vizinhas, aborda Ceram, sobe as encostas do Gounong-Api em Banda e explora depois Buru antes de subir para Ternate e o norte das Celebes. O seu livro, publicado em 1868, é o de um homem que viria a fundar um grande museu de história natural em Nova Iorque. O vulcão, as plantações de noz-moscada e a administração holandesa surgem aí uma geração depois de Dumont d'Urville, pouco mudados na aparência.
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Mark Twain, The Innocents Abroad (1867)
Em 1867, Mark Twain embarca em Nova Iorque no Quaker City com cerca de sessenta passageiros para um dos primeiros cruzeiros organizados à Europa e à Terra Santa. Como Énault, viaja com um grupo de peregrinos, de Jafa a Jerusalém, do Jordão a Nazaré; mas onde o parisiense se comove, o americano troça dos guias, das relíquias e dos próprios companheiros. Publicado em 1869, o livro torna-se o maior êxito do autor em vida. Lido depois de Énault, mostra o mesmo caminho sagrado visto por um olhar cético, catorze anos mais tarde.
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Mark Twain, The Innocents Abroad (1867)
Em 1867, Mark Twain embarca em Nova Iorque no Quaker City para um dos primeiros cruzeiros organizados: Gibraltar, Tânger, Itália, Atenas, Constantinopla, Esmirna, Beirute, a Terra Santa e o Egito. É, vinte e três anos depois, o cruzeiro de Thackeray em versão americana, com os seus peregrinos piedosos, os viajantes que partem lembranças dos monumentos e um narrador que se recusa a extasiar-se por encomenda. Twain esgueira-se de noite pela Acrópole, regateia no bazar, irrita-se com as relíquias de Jerusalém e contempla a Esfinge. Publicado em 1869, o livro torna-se um dos relatos de viagem mais vendidos do seu tempo e prolonga, em tom mais ruidoso, a sátira do turista.
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Nicolas Pike, Sub-Tropical Rambles in the Land of the Aphanapteryx (1867-1873)
Cônsul dos Estados Unidos em Port Louis de 1867 a 1873, Nicolas Pike dedica os seus tempos livres à história natural da Maurícia e das ilhas vizinhas. Pinta os peixes, recolhe espécimes que irão para Harvard e para o herbário da Maurícia, e percorre a pé as terras altas da ilha. O seu livro, publicado em Nova Iorque em 1873, traz no título o nome de uma ave desaparecida, o ralo-vermelho, companheiro do dodó. O leitor de Flinders reencontra ali os rios, as florestas e as gargantas que o prisioneiro explorava em redor de Vacoas, descritos por outro estrangeiro instalado na ilha por alguns anos.
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George Chaworth Musters, At Home with the Patagonians (1869-1870)
Em abril de 1869, o oficial da marinha inglês George Chaworth Musters deixa Punta Arenas, a colónia chilena fundada em 1848 no estreito de Magalhães, com um pequeno grupo que sobe em direção ao rio Santa Cruz. O caminho passa pela enseada Oazy, onde os oficiais de Dumont d'Urville tinham reconhecido um acampamento de patagões. Musters junta-se depois aos tehuelches de Casimiro e de Orkeke, vive nas suas tendas de peles, caça com eles o guanaco e a ema, e sobe toda a Patagónia até Carmen de Patagones, no rio Negro. O seu livro, publicado em Londres em 1871, dá nomes, rostos e costumes aos «gigantes» da enseada Peckett.
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Edward Henry Palmer, The Desert of the Exodus (1871)
Em 1869, o orientalista de Cambridge Edward Henry Palmer participa no levantamento do Sinai conduzido para o Palestine Exploration Fund; parte depois com o naturalista Charles Tyrwhitt-Drake para percorrer a pé, sem escolta, o deserto de Tih, o planalto calcário que Laborde via ladear o Wadi Araba a oeste. Dez meses sob uma pequena tenda, inscrições copiadas nos vales, noites entre os beduínos, que lhe chamam Abdallah Effendi: The Desert of the Exodus, publicado em 1871, procura, como a introdução de Laborde, os vestígios do Êxodo na paisagem, mas com os instrumentos de uma ciência nova. O deserto que Laborde ladeava torna-se enfim um território cartografado.
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Amelia B. Edwards, Mille milles en remontant le Nil (A Thousand Miles up the Nile) (1873-1874)
Romancista e jornalista, Amelia Edwards chega ao Egito quase por acaso, em novembro de 1873, para fugir à chuva da Europa. Aluga uma daabia e sobe o Nilo para lá de Abu Simbel até à segunda catarata, desenhando tudo o que vê. O seu livro, A Thousand Miles up the Nile, publicado em 1877, mistura humor, erudição e indignação perante os monumentos mutilados pelos caçadores de tesouros e pelos visitantes. Em 1882 fundará o Egypt Exploration Fund, para escavar e proteger esse património. Macbrair vira os mesmos templos em Tebas, Edfu e Filas; quarenta anos depois, Edwards mostra o que o turismo nascente fez deste Nilo de missionários e de paxás.
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Amelia B. Edwards, A Thousand Miles up the Nile (1873-1874)
Thackeray pára no Cairo e nas Pirâmides; a romancista inglesa Amelia Edwards, chegada ao Egito quase por acaso no inverno de 1873, vai muito mais longe. Num dahabieh, com uma amiga e uma tripulação núbia, sobe o Nilo até Abu Simbel e à segunda catarata, desenha os templos, manda desenterrar pinturas cobertas de areia e indigna-se com as pilhagens. O seu livro, publicado em 1877, mistura a vida de bordo, as paisagens e uma erudição que cresce de página em página. A viagem decide-lhe a vida: em 1882, funda em Londres o Egypt Exploration Fund.
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Constance Gordon-Cumming, At Home in Fiji (1875-1877)
Em 1875, um ano depois da cedência das Fiji à Grã-Bretanha, a escocesa Constance Gordon-Cumming acompanha o novo governador, sir Arthur Gordon, a Levuka, a Lebouka de Dumont d'Urville tornada capital de uma colónia. Chega logo após uma epidemia de sarampo que dizimou os insulares, e o governo nem sequer está instalado. Durante dois anos, de aguarela na mão, encontra os chefes, visita as missões e as aldeias, observa as cerimónias e a vida quotidiana. At Home in Fiji é publicado em 1881. O país das vinganças e das alianças de 1838 tornou-se aí uma província do Império Britânico, e a viajante mede tudo o que mudou numa única geração.
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Anna Brassey, A Voyage in the Sunbeam (1876-1877)
A 1 de julho de 1876, o iate Sunbeam deixa a Inglaterra para uma volta ao mundo, levando a bordo Thomas e Anna Brassey, os filhos, amigos e uma tripulação. O caminho parece-se com o da Astrolabe: escala em Tenerife e subida noturna ao pico, passagem da linha, o Rio de Janeiro e a sua baía, e depois o sul. No dia seguinte à partida de Buenos Aires, o Sunbeam recolhe a tripulação do Monkshaven, um veleiro inglês cuja carga de carvão arde em pleno mar. Seguem-se Punta Arenas, o estreito de Magalhães e as canoas dos fueguinos. Anna Brassey escreve o diário de uma família no mar, atenta às escalas que Dumont d'Urville descrevera quarenta anos antes.
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Florence Dixie, Across Patagonia (1878-1879)
Lady Florence Dixie desembarca em Punta Arenas, no estreito de Magalhães, com o marido, dois dos irmãos e alguns amigos. Cansada dos salões de Londres, quer ir aonde ninguém do seu mundo foi. O pequeno grupo atravessa a cavalo as pampas da Patagónia rumo aos Andes, caça o guanaco e a ema, acampa ao vento e encontra famílias tehuelches, esses patagões que Dumont d'Urville recebera a bordo na enseada Peckett em janeiro de 1838. O livro, publicado em 1880, conserva o olhar de uma cavaleira mais do que o de uma cientista, com os seus cansaços, as suas refeições de caça e as suas paisagens imensas. Quarenta anos depois das corvetas, a mesma costa vista da terra.
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Henry Ogg Forbes, A Naturalist's Wanderings in the Eastern Archipelago (1878-1883)
Entre 1878 e 1883, o naturalista escocês Henry Ogg Forbes percorre Java, Samatra e depois o leste do arquipélago, Banda, Buru e as ilhas Timor-Laut, a sul das Aru. Colecionador infatigável de plantas e aves, viaja em parte com a mulher, e as suas páginas sobre as ilhas orientais prolongam as de Wallace, que admira. O relato, publicado em 1885, mostra os mesmos arquipélagos meio século depois das corvetas francesas: os mesmos pequenos portos, a mesma dependência do comércio das especiarias e dos ventos de monção. É também um testemunho sobre sociedades insulares que a administração colonial mal alcançava ainda.
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Laurence Oliphant, Haifa, or Life in Modern Palestine (1882-1885)
Em 1882, o escritor e antigo diplomata britânico Laurence Oliphant instala-se em Haifa, aos pés do Carmelo onde termina a viagem de Énault, e passa os verões numa aldeia drusa da montanha. As suas cartas ao New York Sun, reunidas em 1887, descrevem a colónia alemã dos Templários, as primeiras aldeias judaicas, os conventos, as escavações, os drusos e os beduínos. Onde Énault via uma terra sagrada imóvel nas suas memórias bíblicas, Oliphant observa um país que muda, arroteado, colonizado, cobiçado. O Carmelo dos peregrinos torna-se para ele um posto de observação sobre a Palestina moderna.
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Isabella Bird, The Golden Chersonese and the Way Thither (1883)
Em 1879, na volta do Japão, a inglesa Isabella Bird faz escala em Singapura. Convidada pela administração colonial, parte por cinco semanas para os Estados malaios recém-postos sob proteção britânica: Malaca, Selangor, Perak, a bordo de pequenos vapores chineses e depois no lombo de elefante, na lama da selva. Suas cartas, publicadas em 1883, descrevem uma Singapura transformada em multidão chinesa, malaia e indiana, quarenta anos depois da que Dumont d'Urville já achava próspera. O livro ajuda a medir o caminho percorrido pelo porto franco que o almirante via crescer, e o modo como a Inglaterra converteu em protetorado o interior de que ele só enxergava a costa.
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Mark Twain, Life on the Mississippi (1883)
Antes da Guerra Civil, Mark Twain fora piloto de barcos a vapor no Mississípi. Em 1882 volta a descer o rio de Saint Louis a Nova Orleães e mistura com a viagem as recordações da sua aprendizagem, as lendas dos pilotos, os bancos de areia que mudam de lugar e os troncos submersos que rasgam os cascos. É o rio que Ernst desceu de barco em 1819, de Saint Louis a Natchez, escapando por pouco ao naufrágio. Sessenta anos mais tarde, as cidades cresceram e o caminho de ferro faz concorrência aos vapores, mas o rio continua a ser o mesmo senhor caprichoso.
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Robert Louis Stevenson, In the South Seas (1888-1889)
A 28 de julho de 1888, antes da aurora, o iate Casco aproxima-se de Nuku Hiva e entra na baía de Anaho: Robert Louis Stevenson, doente dos pulmões, descobre os mares do Sul. Segue a pé até Hatiheu contando as plataformas de casas abandonadas, fundeia em Taiohae, permanece em Hiva Oa em casa dos chefes de Atuona, depois passa aos Tuamotu e ao atol de Fakarava. Escuta chefes, missionários e traficantes, interroga os velhos sobre o tapu e as guerras de outrora, e demora-se na despovoação que esvazia os vales. In the South Seas, reunido em volume depois da sua morte, é a testemunha lúcida de um mundo que Dumont d'Urville já via declinar ao procurar em vão as aldeias de Porter.
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Charles Morris Woodford, A Naturalist among the Head-hunters (1890)
Entre 1886 e 1888, o naturalista inglês Woodford faz três estadias nas ilhas Salomão: em Alu e Fauro, depois em Aola, em Guadalcanal, e por fim em Roviana e Nggela. Reúne ali milhares de espécimes e conta a vida das aldeias, as expedições de caçadores de cabeças e as trocas com os comerciantes. Poucos anos depois, torna-se o primeiro comissário residente do protetorado britânico das Salomão. O seu livro prolonga as páginas de Dumont d'Urville sobre Isabel e Guadalcanal: as mesmas costas, meio século depois, no limiar da colonização.
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Paul Gauguin, Noa Noa (1891-1893)
Em junho de 1891, Paul Gauguin desembarca em Papeete com a esperança de encontrar no Taiti o paraíso que os relatos de viagem lhe prometeram. Descobre uma pequena cidade colonial, deixa-a depressa por Mataiea, na costa sul, toma uma companheira taitiana, Tehura, e pinta. De regresso a Paris em 1893, escreve Noa Noa com o poeta Charles Morice para fazer compreender as suas telas ao público. O livro, meio diário meio poema, canta uma Polinésia sonhada e lamenta a que os missionários e os colonos transformaram. Meio século antes, diante da imensa igreja abandonada de Papa-Oa, Dumont d'Urville já meditava sobre a glória passada da ilha: Sic transit gloria mundi.
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Matilde Serao, Nel paese di Gesù (1893)
Quarenta anos depois de Énault, a jornalista napolitana Matilde Serao, cofundadora do diário Il Mattino, faz por sua vez a viagem à Terra Santa em 1893 e tira dela uma série de artigos, reunidos em volume em 1898. O mesmo ofício, a mesma fé católica, o mesmo caminho para Jerusalém, Belém e a Galileia. Serao escreve com fervor e com um sentido apurado da cena, das multidões e das cores que lembra o do seu antecessor. Os dois jornalistas, o parisiense do Segundo Império e a napolitana do fim do século, compõem um díptico da peregrinação vista pela imprensa.
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Pierre Loti, Jérusalem (1894)
Na primavera de 1894, depois de atravessar o Sinai às costas de um camelo, Pierre Loti chega a Jerusalém como peregrino sem fé, em busca de uma emoção religiosa que não encontra. Descreve, cinquenta anos depois de Thackeray, o mesmo Santo Sepulcro atulhado de seitas rivais, as mesmas multidões de peregrinos, uma cidade cinzenta sob a chuva, mas num tom de melancolia fervorosa que é o exato oposto da ironia do inglês. Publicado em 1895, o livro forma com O Deserto e A Galileia um tríptico oriental. Ler Loti depois de Thackeray é medir como o mesmo lugar pode suscitar a sátira num e o fervor nostálgico no outro.
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Pierre Loti, Le Désert (1895)
A 22 de fevereiro de 1894, Pierre Loti deixa as Fontes de Moisés com uma caravana de camelos, sobe ao mosteiro do Sinai e desce em direção ao golfo de Aqaba, decidido a seguir a rota mais longa, a do deserto de Petra, precisamente porque os guias o aconselham a evitá-la. Em Aqaba, o administrador otomano fecha-lhe o caminho: as tribos da Idumeia estão em rebelião, e Loti tem de desviar-se para Gaza através do deserto. Le Désert, publicado em 1895, é um diário de luzes e de silêncios, todo em cores de areia e de granito. Mede-se nele o valor da entrada em Petra obtida por Laborde à força de paciência e de presentes.
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Mark Twain, Following the Equator (1895-1896)
Quase um século depois de Flinders, Mark Twain desembarca em Sydney para uma digressão de conferências. Port Jackson, onde o Investigator recrutava forçados, tornou-se uma grande cidade; Port Phillip, a baía mal reconhecida em 1802, abriga Melbourne e as suas corridas de cavalos; Adelaide estende-se junto ao golfo de São Vicente. Twain diverte-se com tudo, dos comboios que mudam de bitola às fronteiras das colónias e à fauna, mas escuta também a história dos aborígenes e julga-a severamente. O seu relato, publicado em 1897, mostra o que se tornaram em poucas décadas as margens que Flinders nomeava uma a uma.
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Mark Twain, Le Tour du monde (Following the Equator) (1895-1896)
Arruinado, Mark Twain parte em 1895 para uma digressão de conferências à volta do mundo. Descobre Sydney, os seus cais e o seu porto magnífico, atravessa a Austrália com um espanto misturado de ironia, depois segue para a Índia e faz escala na Maurícia. Em Port-Louis, troça do calor, do fervor dos habitantes por Paulo e Virgínia, e conta com malícia que, a ouvi-los, a Maurícia teria sido criada primeiro e o paraíso copiado dela. Publicado em 1897, o livro transforma em destino de cruzeiro os lugares onde Flinders conhecera a fome e a prisão, e lembra que a viagem também se pode contar a rir.
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Joshua Slocum, Sailing Alone Around the World (1895-1898)
Em fevereiro de 1896, Joshua Slocum, sozinho a bordo do Spray, um pequeno sloop reconstruído com as próprias mãos, entra no estreito de Magalhães. Faz escala em Punta Arenas, onde o previnem contra os fueguinos, e depois costeia as paragens do Porto da Fome. As canoas seguem-no; certa noite, para dormir descansado, espalha tachas no convés, e os visitantes noturnos fogem aos gritos. Empurrado para o cabo Horn por uma tempestade à saída do estreito, volta a entrar pelo canal Cockburn antes de alcançar finalmente o Pacífico. Os gargalos, as rajadas e os fundeadouros que Dumont d'Urville descreve, vistos desta vez por um homem sozinho.
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Frederick William Christian, The Caroline Islands (1899)
No fim da década de 1890, o viajante inglês F. W. Christian percorre as Carolinas, então espanholas: Pohnpei e as ruínas de Nan Madol, Kosrae, Yap, Palau e a lagoa de Chuuk, o antigo Hogoleu deste tomo. Linguista tanto quanto viajante, anota línguas, lendas e monumentos de pedra. O seu relato permite rever, sessenta anos depois, os insulares cujas canoas tinham assaltado o bote do Astrolabe em Rouk, e medir o que missões, baleeiros e comerciantes mudaram entretanto nessas ilhas que a expedição francesa apenas roçara.
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Winston Churchill, The River War (1899)
Jovem oficial e correspondente de guerra, Winston Churchill participa em 1898 na campanha de Kitchener contra o Estado mahdista e combate em Omdurman. O seu livro relata a reconquista do Sudão pelos exércitos anglo-egípcios, a subida do Nilo por Dongola e a via-férrea lançada através do deserto a partir de Wadi Halfa. Quase oitenta anos depois de Ismail Paxá, outro exército vindo do Egito retoma o mesmo caminho ao longo do rio, entre as cataratas e os desertos que Waddington e Hanbury atravessavam. O livro regressa também à conquista de 1820, ponto de partida de toda esta história.
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Odoardo Beccari, Nelle foreste di Borneo (1902)
O botânico florentino Odoardo Beccari chega a Kuching em junho de 1865 e só deixa Bornéu em janeiro de 1868. Vive numa cabana no coração da floresta de Sarawak, coleta palmeiras, samambaias e plantas carnívoras, caça orangotangos e partilha a vida dos dayaks, até que a febre o obriga a voltar. Publica seu relato em 1902, traduzido para o inglês dois anos depois. Onde este tomo entrega sobre Bornéu o inventário frio de um residente holandês, madeiras, ouro, diamantes e estanho, Beccari conta a própria floresta, sua umidade, seus ruídos e seus habitantes, e oferece ao leitor o interior da ilha que a expedição francesa apenas adivinhou do mar.
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