Região e época

Exploradores das terras austrais no século XVIII: cabo Horn, Patagónia, Malvinas, mares do Sul

No século XVIII, o Sul continua a ser o domínio de uma certeza: algures entre a América, a África e a Nova Holanda tem de existir um continente fértil e povoado. Jean-Baptiste Bouvet de Lozier, natural de Saint-Malo, parte à sua procura ao serviço da Companhia francesa das Índias; a 1 de janeiro de 1739, no nevoeiro e entre gelos à deriva, avista um cabo que julga ser a ponta dessa terra. É uma ilha minúscula, que ninguém conseguirá voltar a ver antes de 1808. Ainda em 1767, o geógrafo escocês Alexander Dalrymple promete aos ingleses um continente austral de cinquenta milhões de habitantes. Cada viagem do século arranca um pedaço a esse sonho.

O cabo Horn é a outra provação. Em 1741, a esquadra de George Anson perde centenas de homens ao dobrá-lo, e a Wager naufraga na costa do Chile; os sobreviventes, entre eles o jovem John Byron, trazem relatos de motim, fome e sobrevivência entre os povos canoeiros dos canais, que serão lidos durante gerações. De volta em 1764 como comodoro, Byron faz escala na Patagónia, e a relação publicada em 1766 descreve homens gigantescos: a polémica dos gigantes agita a Europa erudita. Nesse mesmo ano de 1764, Bougainville instala famílias acadianas nas Malvinas, em Port-Saint-Louis; ingleses e espanhóis disputam depois o arquipélago até roçarem a guerra em 1770.

A Espanha responde ocupando a costa. Os jesuítas José Quiroga e José Cardiel reconhecem-na logo em 1745-1746; o inglês Thomas Falkner, que viveu anos entre os povos das pampas, publica em 1774 uma descrição da Patagónia. A partir de 1779, a Coroa funda estabelecimentos no rio Negro e na baía de San Julián; Basilio Villarino sobe o rio em direção aos Andes em 1782-1783, e Antonio de Córdoba levanta o estreito de Magalhães em 1785-1786 e de novo em 1788-1789.

Mais a sul, o oceano entrega as suas ilhas. Em janeiro de 1772, Marion Dufresne descobre as ilhas do Príncipe Eduardo e o arquipélago Crozet, poucos meses antes de ser morto na Nova Zelândia. A 17 de janeiro de 1773, dois navios britânicos atravessam pela primeira vez o círculo polar antártico; um ano depois, um deles atinge 71° 10' de latitude sul e volta para trás diante da banquisa. A Geórgia do Sul, reconhecida em 1775, revela sobretudo as suas colónias de lobos-marinhos e elefantes-marinhos. Na década de 1790, caçadores de focas ingleses e americanos de Nantucket chegam às dezenas de navios: o grande continente povoado desapareceu dos mapas, e o Sul tornou-se um território de caça.

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