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História do Sudão: a Núbia, Senar e o Darfur nos relatos dos viajantes

Para os antigos, o Sudão era a terra de Cuxe, a que os Gregos chamavam Etiópia. Por volta de 450 a.C., Heródoto subiu o Nilo até Elefantina e só conheceu Méroe de ouvir dizer, como uma cidade distante governada por reis negros. Por volta do ano 61, dois centuriões enviados por Nero ultrapassaram Méroe e detiveram-se diante dos pântanos sem fim do Nilo Branco; Séneca e Plínio guardaram o seu relato. Ainda assim, as pirâmides de Napata e de Méroe ficaram quase desconhecidas na Europa durante dezoito séculos.

No século VI, os reinos núbios da Nobácia, da Macúria e de Alódia converteram-se ao cristianismo, e em 652 um tratado com o Egito árabe, o baqt, garantiu-lhes seis séculos de paz relativa. Por volta de 970, o enviado fatímida Ibn Sulaym al-Aswani descreveu Dongola, as suas igrejas e os seus reis, num texto que chegou até nós pelos historiadores do Cairo. O islão espalhou-se depois, e em 1504 nasceu o sultanato funj de Senar, nas margens do Nilo Azul.

Os primeiros europeus chegaram pelo caminho da Etiópia. O viajante judeu David Reubeni atravessou Senar por volta de 1523. Em 1699, o médico francês Charles-Jacques Poncet parou ali a caminho da corte do negus; o franciscano Theodor Krump lá viveu em 1701, e o enviado de Luís XIV, Lenoir du Roule, foi ali assassinado em 1705. Em 1772, o escocês James Bruce, de regresso da Abissínia, descreveu uma corte funj já em declínio. William George Browne chegou ao Darfur com uma caravana em 1793 e ficou lá retido quase três anos.

A conquista egípcia de 1820 e 1821, conduzida por Ismail, filho do vice-rei, abriu o país. Frédéric Cailliaud acompanhou o exército e alcançou em 1821 as pirâmides de Méroe, que Louis Linant de Bellefonds desenhou nesse mesmo ano. Cartum nasceu na confluência dos dois Nilos; Ferdinand Werne subiu o Nilo Branco em 1840 com a flotilha de Selim Bimbashi, e Richard Lepsius registou os monumentos núbios em 1844. O Sudão contou-se também a si próprio: o tunisino Muhammad al-Tunisi, que viveu no Darfur de 1803 a 1811, deixou a sua descrição, e os sábios de Senar compuseram a crónica funj e as vidas de santos de Wad Dayf Allah.

A revolta do Mahdi, a queda de Cartum em 1885 e a morte de Gordon fecharam o século. Dois cativos de Omdurman, o padre Joseph Ohrwalder e o oficial Rudolf Slatin, publicaram as suas memórias antes da batalha de Omdurman, em 1898.

Esta secção reúne as nossas edições de relatos de testemunhas e um repertório de outros relatos antigos sobre o Sudão.

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