Por país

História da Finlândia contada pelos seus primeiros viajantes

Os primeiros textos que falam da Finlândia colocam-na no limite do mundo conhecido. Por volta do ano 98, no fim da Germânia, Tácito descreve os fenos, caçadores de uma selvajaria espantosa que armam as flechas com pontas de osso e não têm cavalos nem casas. Por volta de 890, o norueguês Ohthere contou ao rei Alfredo, o Grande, as suas viagens para norte e nomeou os cwenas e os finnas, que viviam da caça e da pesca para lá das montanhas.

O país entrou na história escrita pela mão da Suécia e da Igreja. Segundo a tradição, o bispo Henrique acompanhou por volta de 1155 uma expedição sueca e morreu sobre o gelo do lago Köyliö, morto pelo camponês Lalli. A catedral de Turku foi consagrada em 1300 e o tratado de Nöteborg fixou em 1323 a fronteira com Novgorod. Depressa o país começou a escrever-se a si próprio: Mikael Agricola, mais tarde bispo de Turku, imprimiu em 1543 um abecedário em finlandês e em 1548 o Novo Testamento.

Nos séculos XVII e XVIII, o caminho do cabo Norte passava pelo fundo do golfo de Bótnia. O padre italiano Francesco Negri subiu em 1664 por Tornio até ao oceano Ártico; as suas cartas saíram em 1700 com o título Viaggio settentrionale. Jean-François Regnard chegou a Tornio em 1681 e deixou mais a norte uma inscrição latina: aqui enfim parámos, onde a terra nos faltou. Entretanto, a academia fundada em Turku em 1640 formava os seus próprios sábios: Pehr Kalm partiu em 1747 para a América do Norte e Henrik Gabriel Porthan estudou a partir de 1766 a poesia popular finlandesa.

Em 1799, o naturalista inglês Edward Daniel Clarke atravessou o país a caminho da Lapónia. Os viajantes da época descreveram as saunas, os cantores de runas acompanhados ao kantele e os barcos que desciam os rápidos do Oulujoki. Depois da guerra de 1808 e 1809, a Finlândia tornou-se um grão-ducado do Império Russo, com Helsínquia como capital desde 1812.

O século XIX descobriu uma nação. Elias Lönnrot publicou em 1835 o Kalevala, epopeia recolhida junto dos cantores da Carélia; na década de 1840, Matthias Alexander Castrén percorreu a Lapónia e a Sibéria em busca dos povos aparentados com os finlandeses. Xavier Marmier deu a conhecer o país em França a partir de 1839, Louis Léouzon Le Duc traduziu o Kalevala em 1845 e a inglesa Ethel Alec-Tweedie percorreu-o de carroça em 1896, vinte anos antes da independência de 1917.

Esta secção reúne as nossas edições de relatos de testemunhas e um repertório de outros relatos antigos sobre a Finlândia.

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