Biografia
De Nicolas Bénard quase só se sabe o que ele próprio conta no seu livro. Parisiense, declara ter «vinte anos, ou por volta disso» quando deixa a capital a 20 de setembro de 1616: teria, portanto, nascido por volta de 1596, mas nem a data nem o local exato do seu nascimento estão documentados, e nada se sabe da sua família nem da data da sua morte. Leigo e católico fervoroso, parte para cumprir um voto, ver Jerusalém, munido de um passaporte do rei emitido em seu nome.
Com dois companheiros parisienses, Resteau e Potier, desce o Ródano até Marselha e embarca a 9 de novembro de 1616 na Sainte-Marguerite. Após uma travessia de sessenta e dois dias, pela Sardenha, pela Sicília, por Malta e por Chipre, desembarca em Sídon a 9 de janeiro de 1617 e entra em Jerusalém a 25 de janeiro. A 2 de fevereiro, dia da Candelária, o guardião do monte Sião, o franciscano Basílio de Caprarola, arma-o cavaleiro do Santo Sepulcro. Esse título passará a figurar à cabeça do seu livro.
O regresso dura mais de sete meses: a Sicília e a Calábria, Nápoles, Roma, Loreto e Veneza, depois Milão, o passo de São Gotardo, o Reno, a Holanda e a Flandres. Regressa a Paris a 20 de setembro de 1617, exatamente um ano depois da partida, e vai dar graças à igreja do Santo Sepulcro da rua Saint-Denis.
É em torno dessa igreja que se desenrola o que se conhece do resto da sua vida. Entre 1619 e 1621, Bénard está entre os antigos peregrinos de Jerusalém que se opõem aos cónegos do Santo Sepulcro de Paris: reclamam o restabelecimento do hospital fundado para acolher os peregrinos e o direito de participar nos ofícios da sua confraria. O seu livro reproduz a sua defesa, os acórdãos do Parlamento invocados em seu apoio e a lista de uma centena de viajantes signatários.
Le voyage de Hierusalem et autres lieux de la Terre Sainte (A viagem de Jerusalém e outros lugares da Terra Santa) é publicado em Paris por Denis Moreau em 1621, dedicado a Carlos Gonzaga de Clèves, duque de Nevers e de Rethel. É um volume espesso de mais de setecentas páginas em três livros, ao mesmo tempo diário de viagem, manual prático e defesa. Bénard dá aos futuros peregrinos conselhos precisos sobre as duas rotas possíveis, por Veneza ou por Marselha, sobre as provisões, o dinheiro e os tributos a pagar às autoridades otomanas, e termina com um pequeno guia das distâncias na Terra Santa.
O livro só teve uma edição antiga. Conservam-se exemplares, nomeadamente, na Biblioteca Nacional de França, que o digitalizou no Gallica, na Real Biblioteca de Madrid e na Biblioteca Gennadius de Atenas. Os historiadores da peregrinação citam-no como um testemunho da viagem a Jerusalém no início do século XVII, entre o fervor religioso e a observação do mundo.
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