Biografia
Jacques-Henri Bernardin de Saint-Pierre nasce no Havre a 19 de janeiro de 1737, de uma família normanda. Em criança, lê Robinson Crusoé e, por volta dos doze anos, embarca com um tio capitão rumo às Antilhas, experiência que o deixa desiludido com o mar. Estuda ciências em Caen e depois em Ruão, antes de se formar como engenheiro na escola das Pontes e Calçadas e de entrar ao serviço do rei.
A sua carreira de engenheiro militar é acidentada. Durante a Guerra dos Sete Anos, é afastado de um posto por insubordinação; parte depois para Malta, em seguida para os Países Baixos e para a Rússia, onde espera em vão encontrar uma passagem para as Índias. Uma estada na Polónia termina numa aventura sentimental; passa ainda por Dresden e Berlim antes de regressar a França, em 1766 ou 1765 consoante as notícias biográficas.
Em 1768, sem fortuna, obtém um posto de capitão-engenheiro na Ilha de França, a atual ilha Maurícia, onde permanece cerca de três anos. Observa ali a natureza e a sociedade colonial, insurge-se contra o desbaste das florestas e contra a escravidão, e regressa por Bourbon, pelo Cabo e por Ascensão. As suas cartas formam o Voyage à l'isle de France, à l'isle de Bourbon, au cap de Bonne-Espérance, avec des observations nouvelles sur la nature et sur les hommes, par un officier du Roi, saído em dois volumes, anonimamente, em 1773, em Amesterdão, com venda em Paris em casa de Merlin. O livro funda a sua reputação, e é-lhe atribuída uma pensão de cerca de mil libras, segundo a notícia anglófona da Wikipédia.
Em Paris, d'Alembert introduz-o no salão de Julie de Lespinasse, onde, no entanto, se sente à margem dos enciclopedistas. Liga-se sobretudo a Jean-Jacques Rousseau, com quem herboriza e cujo gosto pela natureza partilha. Os Études de la nature (1784) tornam-no célebre; Paul et Virginie, datado de 1788 ou de 1789 consoante as fontes, sai primeiro como complemento deles. Seguem-se nomeadamente La Chaumière indienne (1790), as Harmonies de la nature (1796), De la nature de la morale (1798) e o Voyage en Silésie (1807). A sua peça Empsaël et Zoraïde, escrita em 1775, só será publicada em 1904.
Nomeado intendente do Jardim do Rei em 1792, vê a instituição tornar-se o Muséum national d'histoire naturelle, que suprime o seu cargo. Ensina moral na École normale do ano III, em 1794, entra para o Instituto em 1795 e para a Academia Francesa em 1803. Casado em 1792 com Félicité Didot, depois em 1800 com Désirée de Pelleport, morre em Éragny, no Oise, a 21 de janeiro de 1814. Louis-Aimé Martin dá à estampa as suas Œuvres complètes a partir de 1813. As fontes consultadas não dizem onde se conservam os seus papéis.
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