Biografia
Ida Laura Reyer nasce em Viena a 14 de outubro de 1797, terceira filha de uma família abastada de comerciantes e empresários têxteis. O pai, Aloys Reyer, morre quando ela tem nove anos. Criada primeiro como os irmãos, é depois reconduzida pela mãe a um papel mais convencional. Um preceptor, o poeta Emil Trimmel, faz-lhe ler relatos de viagem; pede-a em casamento e tem de deixar a casa. Em 1820, casa com Mark Anton Pfeiffer, advogado de Lemberg (hoje Lviv), claramente mais velho do que ela. O casal instala-se na Galícia, onde o marido perde a clientela depois de atacar funcionários corruptos. Ida conhece aí a penúria; deixa Lemberg em 1833 e estabelece-se em Viena com os dois filhos, cuja educação assegura sozinha.
Quando os filhos se tornam adultos, realiza um sonho de infância. A 22 de março de 1842, aos quarenta e quatro anos, parte sozinha para a Terra Santa, por Constantinopla, Beirute, Jerusalém, Damasco, o Egito e a Itália, e regressa no fim do ano. Do seu diário tira o primeiro livro, Reise einer Wienerin in das heilige Land, publicado em Viena sem nome de autor; as fontes indicam 1843 ou 1844 para esta primeira edição. O sucesso encoraja-a: visita a Islândia e a Escandinávia em 1845, livro publicado em Pest em 1846.
Seguem-se duas voltas ao mundo. A primeira (1846-1848) leva-a ao Brasil, ao Chile, ao Taiti, à China, à Índia e à Pérsia; a segunda (1851-1855) à África Austral, à Indonésia (atravessa parte de Bornéu e visita Samatra), depois à Califórnia, ao Equador e ao Peru, aos Estados Unidos e ao Canadá. Traz daí Eine Frauenfahrt um die Welt (1850) e Meine zweite Weltreise (1856), publicados por Carl Gerold em Viena e depressa traduzidos, nomeadamente para francês pela Hachette.
Viaja à sua custa, com poucos meios, e financia as partidas vendendo plantas, insetos, conchas e objetos etnográficos a museus e naturalistas de Viena e de outros lugares. Várias espécies têm o seu nome. As sociedades de geografia de Berlim e de Paris admitem-na como membro honorário, e o rei da Prússia concede-lhe em 1856 uma medalha pela ciência e pela arte. A sua última viagem (1856-1858), rumo à ilha Maurícia e a Madagáscar, acaba mal: envolvida numa conspiração contra a rainha Ranavalona, é expulsa da ilha, adoece e regressa esgotada à Europa.
Morre em Viena em outubro de 1858, a 27 segundo a maioria das notícias (o Wien Geschichte Wiki menciona também setembro no seu texto). Os sintomas da malária contraída nas viagens são geralmente apontados como causa. Os filhos publicam a título póstumo o seu relato malgaxe em 1861. Enterrada primeiro no cemitério de São Marcos, é transferida em 1892 para o Zentralfriedhof, primeira mulher a receber aí uma sepultura de honra. Mais de quatro mil peças das suas coleções estão conservadas no Museu de História Natural de Viena, e a Wienbibliothek guarda cerca de vinte das suas cartas. Uma rua de Viena tem o seu nome, e os seus relatos são regularmente reeditados em alemão.
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