Biografia
Gwon Beol nasce em 1478 numa família letrada do clã Gwon de Andong, no sudeste do reino de Joseon. O seu nome literário, Chungjae, é aquele por que descendentes e leitores ainda o conhecem. É aprovado nos exames provinciais em 1496 e no exame superior da função pública em 1507, iniciando a carreira no momento em que a corte sai dos anos conturbados do rei Yeonsangun.
Dá-se a conhecer primeiro como censor. Em 1513, no Gabinete da Inspeção Geral, opõe-se com firmeza aos favores concedidos a um delator, e desde então acompanha-o uma reputação de integridade. Sobe depois na hierarquia: vice-ministro dos Ritos em 1519 e, em seguida, prefeito de Samcheok, na costa oriental.
Nesse mesmo ano de 1519 rebenta a purga de Gimyo, que atinge os letrados reformistas reunidos em torno de Jo Gwang-jo. Próximo dos moderados que tentavam conciliar as fações, Gwon Beol é destituído. Retira-se para a sua aldeia de Yugok, em Bonghwa, e ali permanece quase quinze anos, lendo, recebendo os amigos, cultivando aquilo a que mais tarde se chamará a sabedoria do retiro. O pavilhão Cheongamjeong, erguido perto da sua casa, é hoje um sítio protegido.
Chamado de novo em 1533, retoma uma carreira brilhante: prefeito de Miryang, vice-governador da capital, governador da província de Gyeongsang. Em 1539 parte para Pequim com a embaixada encarregada de um assunto que havia mais de um século envenenava as relações entre Seul e a corte Ming: os textos oficiais chineses faziam do fundador da dinastia, Yi Seong-gye, filho de um homem que fora seu inimigo. Regressa no segundo mês de 1540 e mantém durante a viagem o diário aqui apresentado. A correção só seria obtida décadas mais tarde, e foi por esse serviço que a corte voltou a honrá-lo em 1591.
Em 1545, com a subida ao trono do jovem rei Myeongjong, uma nova purga dilacera a corte. Gwon Beol tenta defender os ministros acusados, mas as suas advertências são atenuadas pelos colegas antes de serem apresentadas. Dois anos depois, na estação de posta de Yangjae, descobre-se um cartaz injurioso contra a rainha regente; o caso serve de pretexto a uma nova vaga de condenações. Gwon Beol é desterrado, primeiro para o sul e depois cada vez mais para norte, até Sakju, perto da fronteira chinesa. Ali morre em 1548.
Reabilitado em 1567, recebe a título póstumo os mais altos cargos do Conselho de Estado, até ao de primeiro-ministro em 1591, e o nome póstumo de Chungjeong, «leal e reto». Desde 1588 honra-o o santuário da academia Samgye. Os seus escritos estão reunidos no Chungjae jip, e os seus cadernos de serviço formam um dos mais ricos diários de funcionário do seu século. Conta-se que nunca se separava do Geunsarok, a antologia do pensamento neoconfuciano que relia sem cessar.
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